Presidente haitiano faz apelo à comunidade internacional

O presidente haitiano, Jean-Bertrand Aristide, fez hoje um dramático pedido de ajuda à comunidade internacional, advertindo que, se o Haiti não receber ajuda, milhares de pessoas poderiam morrer e poderia ser desatado um êxodo de refugiados para a Flórida. Ele lembrou que o grande fluxo de refugiados que chegou à costa da Flórida em 1991 depois do golpe que o depôs procediam, em sua maioria, do Departamento Noroeste.Indagado sobre se estava pedindo uma intervenção militar, Aristide esclareceu que deseja que a comunidade internacional fortaleça a polícia do Haiti, conforme um antigo acordo com a Organização de Estados Americanos (OEA). Aristide, pressionado pelas ameaças dos rebeldes de que em breve tomarão Porto Príncipe, indicou hoje que poderia antecipar as eleições legislativas em novembro, como um gesto de boa vontade para com a oposição. Mas ele descartou mais uma vez a possibilidade de renunciar e reafirmou que permanecerá no cargo até o fim de seu mandato, em fevereiro de 2006.Os insurgentes, que exigem a saída de Aristide, controlam atualmente cerca da metade do país. Forças rebeldes atacaram hoje a cidade de Port-de-Paix, capital do Departamento Noroeste, e atearam fogo a vários edifícios. O ataque, anunciado pela rádio local, foi confirmado pelo próprio presidente. Port-de-Paix encontra-se no extremo nordeste do país e, depois da queda no domingo de Cap-Haitien (a segunda maior cidade do país), era o último território do norte de importância nas mãos do governo.PropostaO governo haitiano se prepara para deter o avanço das forças rebeldes lideradas pelo ex-militar golpista Guy Philippe à localidade de Saint Marc, ao norte de Porto Príncipe, onde se encontram unidades especiais da polícia. Saint Marc encontra-se a três horas de Porto Príncipe e a uma hora do sul de Gonaïves, capital do Departamento de Artibonita, que os rebeldes capturaram na semana passada.Aristide pediu hoje à oposição que deixe a violência de lado e diga sim ao plano de paz proposto pela comunidade internacional para resolver a atual crise política. Mas, poucas horas antes de vencer o novo prazo de 24 horas para que os rebeldes se pronunciassem sobre o plano, a coalizão de oposição anunciou que estava preparando uma carta para os EUA rejeitando a proposta, pois ela não incluía a saída de Aristide.O governo americano, que havia exortado a oposição a aceitar o plano internacional, estuda a possibilidade de pedir ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução autorizando o envio de uma força de paz ao Haiti, mas somente após a obtenção de um acordo entre o governo e a oposição.RepercussõesO presidente francês, Jacques Chirac, disse hoje que seu país está disposto a considerar sua participação em uma força de paz, se aprovada pela ONU. O chanceler francês, Dominique de Villepin, se reunirá esta semana separadamente com membros do governo haitiano e da oposição para tentar encontrar uma saída pacífica para a crise.O governo britânico advertiu hoje seus cidadãos a deixarem o Haiti e a Embaixada da Espanha em Porto Príncipe ativou um plano de retirada dos espanhóis residentes nesse país e fretou um avião para trasladar a Santo Domingo, República Dominicana, seus cidadãos.

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