Ammar Awad/Reuters
Ammar Awad/Reuters

Presidente iemenita tem 40% do corpo queimado e hemorragia intracraniana

Internado na Arábia Saudita desde ataque contra palácio na sexta-feira, estado de saúde de Saleh seria muito mais grave do que fontes oficiais haviam indicado inicialmente e recuperação poderia demorar meses; crescem rumores sobre futuro do país

, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

RIAD

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, sofreu ferimentos muito mais graves do que o anunciado após o ataque contra o palácio presidencial, na sexta-feira. Representantes do governo iemenita e diplomatas ocidentais disseram ontem que Saleh tem 40% do corpo queimado e uma hemorragia intracraniana.

Saleh, internado no hospital das Forças Armadas sauditas em Riad, teria sofrido queimaduras no rosto, pescoço, braços e costas quando a explosão atingiu a mesquita do palácio durante as orações. "O rosto dele ficou bastante queimado", disse um representante ocidental, falando sob anonimato, segundo as regras do governo. "As queimaduras são graves; Saleh não está tão bem quanto dizem assessores."

A origem da explosão, que matou ao menos 11 guardas e também o imã da mesquita, além de ferir muitos outros funcionários do governo, ainda é misteriosa. Acreditou-se inicialmente que teria sido um causada por uma granada de morteiro ou foguete disparados de fora do complexo. Mas, segundo investigação, há a possibilidade de uma bomba ter sido instalada no púlpito.

O material explosivo também parecia conter algum tipo de catalisador que produziu as chamas, segundo um diplomata ocidental. Saleh estaria se inclinando no momento em que a explosão ocorreu. "Ele estava muito próximo e foi por isso que sofreu queimaduras", disse o representante ocidental.

Funcionários do governo iemenita e representantes ocidentais afirmaram que Saleh não corre risco de morte. Mas, levando-se em consideração a dor provocada pelas queimaduras, o presidente teria sido submetido a fortes sedativos.

As queimaduras devem cicatrizar em três ou quatro meses, avisou o representante iemenita, indicando a possibilidade de uma ausência prolongada.

Abdul Rahman al-Rashid, presidente da TV Al-Arabiya, disse que há relatos de que um dos estilhaços de madeira que atingiram Saleh teria perfurado um pulmão e estaria alojado embaixo do coração. Isto também poderia exigir um período de convalescença mais prolongado.

Normalmente, o púlpito é uma plataforma elevada de madeira a partir da qual o clérigo faz o sermão de sexta-feira. Na explosão, os estilhaços feriram muitas figuras importantes do governo, incluindo o presidente.

As interpretações do estado de saúde de Saleh variam de acordo com as demandas das facções rivais que buscam no Iêmen desfechos diferentes.

Aqueles que preferem ver Saleh de volta ao poder, entre eles o vice-presidente, dizem que ele está bem e aguardam seu retorno a Sanaa a qualquer momento. Os que preferem vê-lo renunciar afirmam que sua condição é muito grave.

Saleh foi transferido para Riad no sábado. Ele foi acompanhado de seus principais aliados políticos - também feridos. Entre eles o primeiro-ministro, o presidente do Parlamento, o presidente do conselho da Shura e dois vice-premiês, sendo que um deles, Sadiq Abu Ras, perdeu uma perna. Nouman Duweid, governador de Sanaa, continua em coma.

O estado de saúde de Saleh aumentou os temores sobre a instabilidade no Iêmen. O governo perdeu o controle da maioria das províncias e o vácuo político pode desencadear uma guerra civil pelo poder e dar espaço para o crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. / NYT

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