Presidência do Egito/Divulgação
Presidência do Egito/Divulgação

Presidente interino do Egito define novo gabinete

Mídia estatal chegou a anunciar a nomeação do Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, como novo premiê, mas porta-voz da presidência desmentiu

Andrei Netto, enviado especial ao Cairo, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2013 | 20h01

Três dias após o golpe que derrubou Mohamed Morsi, o presidente de facto do Egito, Adli Mansour, se reuniu ontem com a cúpula castrense e líderes de partidos seculares e salafistas e começou a definir um gabinete de transição. A agência estatal Mena chegou a divulgar a nomeação de Mohamed ElBaradei, Nobel da Paz em 2005 e líder da oposição secular, como novo premiê, mas a presidência voltou atrás no anúncio.

No início da noite, após diversas fontes confirmarem a nomeação de ElBaradei, o porta-voz de Mansour, Ahmed el-Musilamani, desmentiu a informação. “O presidente interino se encontrou com ElBaradei, mas não houve nomeação oficial”, informou. Ele disse, no entanto, que ElBaradei seria uma “escolha lógica”. Segundo fontes ouvidas pela Associated Press, o presidente teria voltado atrás após o partido ultraconservador salafista al-Nour se opor à nomeação do Nobel da Paz.

O encontro da manhã de ontem reuniu, além de Mansour e ElBaradei, o ministro da Defesa, general Abdul Fattah al-Sisi, o ministro do Interior, Mohammed Ibrahim, e representantes do partido salafista al-Nour, além de jovens do movimento Tamarod – “Rebelde”, em árabe – que protagonizaram os protestos de rua que reuniram milhões de pessoas contra Morsi.

Além da formação do gabinete, o objetivo da reunião era dar início aos preparativos para escrever o texto de uma Constituição provisória, que regerá o país até que uma nova Constituinte seja eleita. A Carta de inspiração islâmica aprovada em uma noite de novembro, sem a bancada de oposição no Parlamento, foi suspensa. Uma nova eleição só deve ser convocada depois de referendo a ser realizado sobre a nova Carta Magna.

O Partido Justiça e Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana, recusou-se a participar do encontro. Em nota, o partido agradeceu às centenas de milhares de pessoas que protestaram pela volta de Morsi ao poder na sexta-feira, quando confrontos entre partidários do presidente deposto, seus detratores e a polícia deixaram pelo menos 36 mortos e mais de mil feridos.

Pelo menos três integrantes da Irmandade Muçulmana foram presos acusados de incitar os confrontos de quarta-feira, na Universidade do Cairo, quando outras 16 pessoas morreram.

Nas ruas do Cairo, o clima na manhã e na tarde de sábado foi de calmaria, depois de uma noite de grande tensão e destruição. Os sinais da batalha campal de sexta-feira ainda eram visíveis em várias regiões do centro da cidade. Temendo novos confrontos, o Tamarod pediu aos egípcios que se desmobilizarem e deixassem a Praça Tahrir.

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