REUTERS/Andres Martinez Casares
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Presidente interino do Haiti anuncia que eleições acontecerão em 9 de outubro

Oposição haitiana rejeitou os resultados do primeiro turno do pleito, realizado em 25 de outubro de 2015, e denunciou ‘um golpe de Estado eleitoral’ para favorecer o então presidente Michel Martelly

O Estado de S. Paulo

06 Junho 2016 | 14h38

PORTO PRÍNCIPE - As eleições no Haiti, adiadas desde dezembro em razão das acusações de fraude da oposição, serão realizadas finalmente em 9 de outubro, anunciou o presidente interino, Jocelerme Privert, em declarações publicadas por um jornal haitiano no sábado.

"As eleições devem acontecer em 9 de outubro, segundo a informação disponível", respondeu Privert à pergunta do seu homólogo dominicano, Danilo Medina, durante uma entrevista na sétima cúpula da Associação dos Estados Caribenhos em Cuba, segundo um artigo publicado no site do diário Le Nouvelliste.

Os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, realizadas em 25 de outubro de 2015, foram rejeitados pela oposição, que denunciou "um golpe de Estado eleitoral" para favorecer o então presidente, Michel Martelly.

O candidato apoiado pelo governo, Jovenel Moïse, obteve 32,76% dos votos, contra 25,29% de Jude Célestin, que qualificou os resultados como "farsa ridícula".

Na segunda-feira, a comissão independente de verificação e avaliação eleitoral recomendou a anulação do primeiro turno, após constatar fraudes. Após esta recomendação, o Conselho Eleitoral Provisório (CEP) afirmou que em 6 de junho anunciaria uma nova data para a eleição.

"A partir da data de publicação do calendário eleitoral, o CEP precisa de 90 a 120 dias para organizar as eleições", indicou Privert em Havana.

O mandato do presidente interino, eleito pelo Parlamento após a saída sem sucessor de Michel Martelly em fevereiro, termina em 14 de junho, e até o momento nenhuma solução foi proposta pelos legisladores para gestionar o eventual vazio de poder presidencial.

Reorganizar completamente a votação implicará um gasto excepcional que o país mais pobre do Caribe não pode assumir sozinho. Para as eleições de 2015, o orçamento de cerca de US$ 100 milhões havia sido majoritariamente assumido pela comunidade internacional.

O gasto suscitou um debate, especialmente considerando que a participação cidadã é muito limitada: no primeiro turno de outubro, menos de um quarto dos eleitores foram às urnas. /AFP

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