Presidente iraniano promete notícias sobre programa nuclear

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, prometeu neste domingo, 1, que os iranianos ouvirão em breve mais notícias sobre o programa nuclear do país, visto por alguns países do Ocidente como um disfarce para a fabricação de armas nucleares. "A nação iraniana terá, em breve, notícias frescas sobre a transição nuclear de nosso país", disse Ahmadinejad, segundo a agência de notícias oficiais IRNA. O presidente não forneceu detalhes sobre qualquer anúncio ou sobre quando as notícias seriam divulgadas, mas deve convocar uma coletiva de imprensa na terça-feira. Essa é uma das primeiras declarações do presidente iraniano sobre a questão nuclear desde a aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU, em 24 de março, de uma nova resolução com sanções contra o Irã devido à recusa em suspender seu programa atômico. Ahmadinejad já havia anunciado que em fevereiro daria novas notícias sobre o desenvolvimento do programa nuclear iraniano. No entanto, ao terminar em 21 de fevereiro o prazo definido pela ONU para que o Irã suspendesse o enriquecimento de urânio, essas notícias foram adiadas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) está pressionando o Irã a instalar câmeras em sua usina nuclear subterrânea dentro de alguns dias, enquanto os países do Ocidente avaliam uma reunião de emergência com a AIEA caso Teerã recuse, disseram diplomatas. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas ampliou as sanções contra o Irã na semana passada, após o país ter desrespeitado o segundo prazo para a suspensão do programa de enriquecimento de urânio. O Irã anunciou no domingo passado, um dia depois da aprovação da nova resolução da ONU e em resposta às sanções aprovadas, a "suspensão parcial" de sua cooperação com a AIEA. Essa suspensão parcial significa que Teerã não se considera obrigado a informar à AIEA sobre as novas instalações e componentes necessários para o enriquecimento de urânio até seis meses antes desua entrada em funcionamento. Teerã se recusou a permitir que o órgão de vigilância da ONU instalasse câmeras na usina de Natanz, onde estão cerca de um terço das 3 mil centrífugas que o Irã pretende colocar em operação até maio para lançar o enriquecimento em "escala industrial". O Irã afirma que o programa de enriquecimento será utilizado apenas para a geração de energia, porém as potências mundiais temem que o país o utilize na fabricação de armas nucleares. O tumulto causado pelas ambições nucleares do Irã foi eclipsado nesta semana após o país capturar 15 marinheiros britânicos. Alguns analistas sugeriram que Teerã capturou os militares como forma de desviar as atenções mundiais da questão nuclear.

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