Presidente iraquiano condena abusos cometidos por britânicos

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, descreveu os abusos cometidos por soldados britânicos contra jovens iraquianos como injustificáveis. "Este ato é rejeitado, tenha ele vindo das forças de coalizão, para às quais o presidente tem muita obrigação pelo que fizeram pelo povo do Iraque (depois da invasão em 2003), ou por outro lado", afirmou o porta-voz da presidência, Kameran Garadaghi, nesta segunda-feira. Segundo Garadaghi, o lado bom é que as autoridades britânicas condenam os atos e estão investigando.As críticas de Talabani tornam-se públicas após o Ministério da Defesa Britânico anunciar a prisão de uma pessoa por causa do vídeo. A gravação mostra soldados arrastando e golpeando com os punhos e bastões vários jovens iraquianos depois de uma manifestação de rua.Um fotógrafo da agência Associated Press, que presenciou a manifestação, disse que ela aconteceu na província de Amarah, a 280 quilômetros de Bagdá. O governador da província, Adel Mahudar confirmou que a demonstração ocorreu próximo de seus escritórios. "Eu exijo que o governo do Iraque dê um fim a essas violações contra iraquianos e eu me reunirei com esses jovens e com suas famílias e perguntarei se eles querem processar as tropas britânicas", afirmou Mahudar.O vídeo foi relatado no domingo pelo tablóide News of the World, que afirmou ter recebido a fita de uma fonte não identificada. As imagens foram registradas no sul do Iraque por um cabo há dois anos atrás. O nome do soldado ou da unidade não foram revelados.O Ministério da Defesa se recusou a identificar o homem que foi preso no domingo á noite.Fotos de tropas americanas torturando e humilhando prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá em 2003, causaram revolta no mundo todo. Também houve acusações de abusos por parte de tropas britânicas.A autenticidade da fita foi checada exaustivamente, segundo o jornal The News of the World. "As imagens nesse vídeo levam a acusações graves. Nós podemos confirmar que, agora, elas são objeto de uma investigação da Polícia Militar Real. São imagens perturbadoras" afirmou o general adjunto, Martin Routledge, em um comunicado esta semana. O general garantiu que todas as acusações de danos envolvendo o exército são tratadas com extrema seriedade e que eles condenam todos os atos de abuso e brutalidade.

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