Presidente iraquiano se recusa a assinar execução de chanceler de Saddam Hussein

Tariq Aziz, que já cumpria prisão por outros crimes, foi sentenciado em outubro por perseguição de partidos xiitas.

BBC Brasil, BBC

17 de novembro de 2010 | 13h09

Aziz foi um assessor próximo de Saddam e se rendeu aos EUA

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, se recusou a assinar a ordem de execução de um dos aliados mais próximos de Saddam Hussein, o ex-chanceler e ex-vice premiê Tariq Aziz.

Talabani disse ao canal de televisão France 24 que nunca assinaria a ordem, devido à idade de Aziz, 74 anos, e pelo fato de ele ser um cristão. O presidente iraquiano é conhecido por ser contra a pena de morte, mas ainda não se sabe se ele terá poder para suspender a execução.

De acordo com o correspondente da BBC em Bagdá Gabriel Gatehouse, em 2006 Talabani se recusou a assinar a ordem de execução de Saddam Hussein.

Mas o documento foi assinado por um dos vice-presidentes iraquianos e Saddam Hussein foi executado mesmo assim.

Desta vez, de acordo com Gatehouse, a situação é diferente, o Iraque está no meio do processo de formação de governo. Talabani foi reeleito para a presidência iraquiana na semana passada e ainda não tem vice-presidentes formais que poderiam autorizar a pena de morte em seu lugar.

E a Constituição do Iraque determina que qualquer ordem de execução precisa ser ratificada pela Presidência.

Condenação

A União Europeia, o Vaticano e a Rússia também são contra a execução de Aziz e pediram que o governo iraquiano não execute o ex-político, alegando que Aziz já está em idade avançada e tem problemas de saúde.

Aziz, que por muitos anos representou o governo de Saddam Hussein (1979-2003) no exterior, foi condenado à morte em outubro pela Suprema Corte do Iraque.

Ele foi sentenciado por crimes relacionados à perseguição de partidos xiitas nos anos 1980 e 1990.

O ex-chanceler iraquiano se rendeu aos Estados Unidos após a invasão do Iraque, em 2003. Em 2009, foi condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato de dezenas de comerciantes iraquianos durante a Guerra do Golfo (1991).

Cinco meses depois, recebeu nova condenação, de sete anos, por seu papel no deslocamento forçado da população curda do norte do Iraque.

O correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir relata que há um ódio visceral dentro do atual governo pelos apoiadores do antigo regime, que reprimia a maioria xiita do país.

Mas muitos não veem Aziz como culpado - como cristão, ele nunca deteve tanto poder quanto o clã sunita ao redor de Saddam -, e é possível que se forme um lobby para evitar sua execução.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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