Presidente israelense pode ser indiciado por estupro

O procurador-geral de Israel notificou nesta terça-feira o presidente Moshe Katsav de que planeja indiciá-lo, sob a acusação de estupro e abuso de poder, uma acusação chocante contra o chefe de Estado do país, um cargo cerimonial no regime parlamentarista. Uma decisão final sobre o indiciamento poderá ser tomada somente depois que seja dada a oportunidade para Katsav apresentar seu caso. Não estava imediatamente claro quando a audiência seria realizada. Caso seja indiciado, Katsav seria o primeiro presidente israelense a ser acusado de delito durante o exercício do poder. A decisão do procurador-geral Meni Mazuz acontece poucos dias depois que as autoridades lançaram uma investigação criminal sobre o envolvimento do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, na venda de um banco controlado pelo governo, em 2005. Vários outros políticos do alto escalão também foram implicados em outros escândalos. Katsav negou as acusações, oriundas de queixas feitas por quatro mulheres que trabalharam para ele durante sua gestão como presidente e, antes disso, como ministro do gabinete. Katsav afirmou ser vítima de uma conspiração de inimigos políticos. O escritório do presidente afirmou que não tinha comentários. Sharon Nahari, um advogado que trabalha para a família Katsav, disse que o presidente estava descontente com as notícias, mas mantinha esperanças de que Mazuz iria reconsiderar a audiência. "Esperamos que isso acabe de outra forma", afirmou à Associated Press. O presidente goza de imunidade enquanto está no poder e poderia ser julgado somente depois de renunciar ou após o final de seu mandato, mais para o final do ano. Seus advogados indicaram que ele renunciaria, caso fosse indiciado, e vários políticos o exortaram hoje a renunciar. O escritório do procurador-geral Mazuz divulgou hoje uma declaração dizendo que tinha recolhido provas suficientes para apoiar um indiciamento contra Katsav com base em acusações de estupro, assédio, relações sexuais envolvendo o abuso de poder, obstrução da Justiça e aceitação ilegal de presentes.As acusações vieram inicialmente à tona quando uma de suas funcionárias acusou Katsav de obrigá-la a fazer sexo com ele no seu escritório. Logo depois, outras mulheres fizeram acusações semelhantes contra ele, traçando o quadro de um político que tinha abusado de suas funcionárias e abusado de seu poder ao longo de sua carreira. Kineret Barashi, advogada de uma das funcionárias que acusam Katsav, saudou o indiciamento. "A notícia de que finalmente foi aberto um indiciamento contra o presidente do país nos traz muita satisfação - saber que o sistema da Justiça faz o seu trabalho, mesmo quando o presidente do país está envolvido", disse ela.A ex-ministra do gabinete Limor Livnat, do Likud, antigo partido de Katsav, conclamou-o a renunciar. "O presidente precisa renunciar imediatamente", disse ela à Rádio do Exército. "Não há espaço para manobras ou artimanhas."

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