Presidente italiano tenta, mais uma vez, formar governo

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, iniciou novas negociações nesta sexta-feira com líderes políticos na tentativa de encerrar o impasse e nomear alguém que possa finalmente formar um governo e evitar a realização de novas eleições em alguns meses.

EQUIPE AE, Agência Estado

29 de março de 2013 | 09h25

As consultas, que segundo o escritório do presidente indicam que resultarão em algum tipo de solução, ocorrem depois de o líder de esquerda Pier Luigi Bersani não ter conseguido, durante a semana, reunir apoio parlamentar suficiente para formar um novo governo, liderado pelo Partido Democrático, o que deixou a Itália num limbo político mais uma vez.

Bersani não conseguiu persuadir o Movimento Cinco Estrelas, que conquistou mais de 25% dos votos nas eleições de fevereiro, a apoiar um novo governo liderado por ele. Sem mais tempo para negociações, o presidente essencialmente deixou aberta à pequena possibilidade de o partido de Bersani liderar o governo, embora pareça cada mais provável que o Napolitano escolha outro nome, talvez uma figura não partidária que tente liderar um gabinete apoiado por uma maioria parlamentar.

Napolitano deu início às conversações ao se reunir com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e sua aliança de partidos conservadores. Em seguida, ele vai se reunir com o Movimento Cinco Estrelas e depois com políticos da Escolha Cívica, o partido do atual premiê, Mario Monti.

Se ele não conseguir reunir apoio para formar um novo governo, novas eleições no início do segundo semestre podem ser inevitáveis. A situação incomum destaca o problema enfrentado pela Itália: cada dia de incertezas políticas adia a resolução das sérias questões econômicas do país, dentre eles uma série de dívidas, e pode inquietar ainda mais os mercados, já bastante agitados com os problemas no Chipre e em outros países.

O Movimento Cinco Estrelas, liderado pelo ex-comediante Beppe Grillo, já repetiu várias vezes que não vai cooperar com nenhum dos partidos tradicionais. Por sua vez, Bersani descartou uma coalizão com Berlusconi, que lidera o grupo de centro-direita. Berlusconi disse que um governo bipartidário é a única solução.

O partido de Bersani e outras legendas aliadas têm a maioria das cadeiras na câmara baixa do Parlamento, nas não no Senado, onde o Partido da Liberdade, de Berlusconi, e o Movimento Cinco Estrelas controlam uma significativa parcela dos assentos.

Segundo uma pesquisa de opinião publicada nesta sexta-feira pelo instituto SWG, o bloco conservador de Berlusconi conquistaria o maior porcentual dos votos, ou 325,%, caso as eleições fossem realizadas hoje. A coalizão de Bersani ficaria com 29,6%, enquanto o Movimento Cinco Estrelas teria 24,8%. Indecisos ou pessoas que afirmaram que não votariam totalizaram 37% dos pesquisados. As informações são da Dow Jones.

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