Presidente iugoslavo critica tribunal da ONU

Diante do prazo estipulado pelos Estados Unidos para entregar os suspeitos de crimes de guerra, o presidente da Iugoslávia, Vojislav Kostunica, afirmou que lhe causa "mal-estar estomacal" ouvir falar do tribunal de crimes de guerra das Nações Unidas. "Deve haver cooperação com o tribunal de Haia", declarou Kostunica na quarta-feira à TV estatal sérvia. "Mas devo admitir que me causa mal-estar estomacal quando penso sobre este tribunal, cujo terrível grau de preconceito se reflete nos processos".Kostunica, considerado um nacionalista moderado, tem criticado com freqüência o tribunal da ONU, afirmando que ele é inimigo dos sérvios e não se baseia no império da lei. Kostunica criticou muitas vezes seu rival, o primeiro-ministro Zoran Djindjic, que quer extraditar para a Holanda os sérvios suspeitos de crimes de guerra.O Congresso dos Estados Unidos deu prazo até 31 de março para que a Iugoslávia coopere com o tribunal. Caso contrário, o governo de Belgrado vai perder US$ 120 milhões em ajuda financeira.Agindo com um prazo semelhante no ano passado, o governo sérvio prendeu o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que atualmente está sendo processado em Haia por supostas atrocidades cometidas por suas forças em Kosovo, Bósnia e Croácia, na década de 90.Kostunica declarou ser "absolutamente contra as extradições ao tribunal de Haia", que considera "ilegal". O governo da Sérvia desafiou hoje Kostunica a adotar formalmente as ordens do tribunal da ONU, a fim de facilitar as extradições.

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