Presidente leva vantagem no mundo virtual

Democrata tem 13 milhões de assinantes para seus e-mails, 5 vezes mais que rival, mas suas mensagens entram mais na caixa de spams

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h09

Ao arrecadar US$ 500 milhões em doações realizadas pela internet para sua campanha de 2008, Barack Obama provou a importância do marketing online na disputa presidencial americana. Neste ano, o democrata contou com 13 milhões de assinantes para seus e-mails, pelos quais potenciais doadores puderam contribuir ativamente para sua propaganda eleitoral. Os republicanos demonstram ter aprendido a lição, mas ainda são considerados tímidos no ambiente virtual.

De acordo com um levantamento da empresa de inteligência digital americana Return Path, a campanha de Mitt Romney tem cinco vezes menos assinantes - cerca de 2,6 milhões - para suas mensagens online do que a do presidente. Além disso, 68% dos e-mails de Obama chegam às caixas postais de seus destinatários, ou seja, não são marcados automaticamente como lixo eletrônico - o destino de 50% da divulgação eleitoral do republicano pelo mesmo meio -, segundo os dados da companhia, que declara não ter preferências políticas, oficialmente.

A campanha online do democrata é mais sofisticada, afirmou o diretor sênior de pesquisa de e-mail da Return Path, Tom Sather, em razão da experiência que seus estrategistas obtiveram em 2008. O especialista explicou que o marketing digital de Obama segmenta os assinantes de seus correios eletrônicos, dando mais ênfase aos "pequenos doadores" em potencial, já que, há quatro anos, foram eles os maiores responsáveis por esse tipo de financiamento.

Segundo o levantamento, 56% das doações por e-mail para a propaganda eleitoral do presidente foram de até US$ 200. Na campanha do ex-governador de Massachusetts, 23% dos assinantes de seus correios eletrônicos doaram valores equivalentes.

Mas 42% dessas contribuições, para Romney, foram de US$ 2,5 mil - valor máximo com que colaboradores individuais podem ajudar seus candidatos, segundo estabelece a Comissão Eleitoral Federal dos EUA, patamar em que Obama obteve 11% das contribuições.

Por esse motivo, além de não segmentar os e-mails, os estrategistas do republicano "não confiam" nos pequenos doadores, disse Sather.

Esforço. Apesar de a campanha de Obama ter apresentado vantagem no marketing por correio eletrônico, os assinantes das mensagens republicanas demonstram mais engajamento. Os colaboradores de Romney encaminharam 6% dos e-mails que receberam - e 0,04% das mensagens democratas foram retransmitidas.

Ao todo, 11% dos correios eletrônicos do democrata foram deletados sem ser lidos - 8% das mensagens do republicano tiveram o mesmo destino. Romney ainda "venceu" Obama em mais um quesito: 0,8% dos assinantes de seus e-mails os marcaram como spam (lixo eletrônico); seu rival teve 5% dessas mensagens qualificadas da mesma maneira.

O levantamento analisou mais de 2 milhões de caixas de entrada entre 27 de agosto e 10 de outubro.

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