Presidente libanês deixa cargo, entrega poder a militares e fala em emergência

Após fracasso na escolha de seu sucessor, Lahoud diz que ?ameaça? de um estado de exceção paira sobre país

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Desde a meia-noite, o Líbano não tem presidente, com os poderes presidenciais divididos entre o governo do pró-Ocidente do premiê Fuad Siniora e as Forças Armadas. A oposição, liderada pelo Hezbollah, sai com a imagem de derrotada, pelo menos temporariamente. Após o fracasso na escolha de um sucessor pelo Parlamento, o presidente libanês pró-Síria, Émile Lahoud, transferiu para os militares o controle da ordem e segurança no Líbano poucas horas antes de deixar o poder, e afirmou que "ameaças de um estado de emergência" prevaleciam sobre o país. Chegou-se a cravar que ele havia decretado o estado de exceção, mas na realidade o presidente falava apenas em "ameaças". Tanques já estavam posicionados nas ruas da Beirute e militares faziam a segurança de prédios governamentais (leia mais na página A28). A coalizão de governo 14 de Março, liderada por Siniora e aliada dos EUA e Arábia Saudita, afirmou que a decisão de Lahoud não influencia o processo de sucessão no Líbano. Segundo a Constituição, como nenhum presidente foi eleito, o poder passa automaticamente para o premiê até que alguém seja escolhido como chefe de Estado. De qualquer maneira, as principais atribuições políticas são constitucionalmente do primeiro-ministro. O problema é que Lahoud, aliado da coalizão opositora 8 de Março - composta pelos grupos xiitas Hezbollah e Amal, os seguidores do líder cristão Michel Aoun e apoiada pela Síria e pelo I rã -, considera o governo de Siniora ilegal. Segundo o presidente, acusado pelos governistas de ser um fantoche de Damasco, o atual gabinete é inconstitucional, pois não conta com xiitas. Membros do Hezbollah e da Amal renunciaram a seus cargos há um ano.Mas ao anunciar a transferência dos poderes na área de segurança para as Forças Armadas, Lahoud não indicou um sucessor interino. Desta forma, segundo analistas em Beirute, Lahoud estaria indiretamente aceitando que Siniora assuma interinamente os poderes presidenciais. O objetivo seria prosseguir com as negociações para a eleição de um candidato de consenso entre o governo e a oposição no dia 30, para quando foi adiada a eleição presidencial. Ao mesmo tempo, combates entre opositores e governistas seriam evitados com presença do Exército nas ruas. Saad Hariri, líder sunita e principal nome da coalizão governista, afirmou ontem que pretende continuar "o diálogo com a oposição". Nabi Berri, principal negociador da oposição, também buscou evitar confrontos e disse que tentará dialogar com os governistas. Na tentativa de acalmar os ânimos, o Hezbollah afirmou que não enviará seus membros às ruas. O governo americano pediu moderação a todas as partes no Líbano. E exortou o Exército e os serviços de segurança a manterem o império da lei.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.