Presidente libanês inicia consultas para novo governo

O presidente do Líbano, Michel Suleiman, começou nesta quarta-feira consultas políticas com os principais líderes do país para a formação de um novo governo, após a oposição, representada pela coalizão 14 de Março, pedir a renúncia do primeiro-ministro Najib Mikati. No sábado, Suleiman pediu a Mikati que fique no cargo até existir um consenso sobre um novo nome e o premiê concordou. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, alertou hoje que um "vácuo de poder" pode ser perigoso no Líbano e levar o país a um cenário de violência, como ocorre na vizinha Síria. Foi o assassinato do chefe da inteligência libanesa, o general Wissan al-Hassan, na sexta-feira passada, o estopim para atual crise no Líbano. O bloco 14 de Março acusa o governo sírio de ser o mandante do atentado, que deixou outras sete pessoas mortas em Beirute oriental, setor cristão da cidade.

AE, Agência Estado

24 de outubro de 2012 | 16h48

"O primeiro passo para evitar o confronto é a queda desse governo", disse a coalizão 14 de Março, toda formada por partidos cristãos e muçulmanos sunitas contrários à Síria. "O governo, através do seu chefe, e os grupos políticos que o apoiam, são responsáveis por terem facilitado o plano do regime criminoso de Bashar Assad", disse Fares Soeid, porta-voz da coalizão. Após o atentado em Beirute, confrontos entre muçulmanos sunitas e alauitas irromperam em Trípoli, segunda maior cidade do país, e deixaram pelo menos 13 mortos entre sexta-feira e a segunda-feira.

O presidente sírio Assad é alauita, um ramo do Islã xiita. Existem poucos alauitas no Líbano, mas Assad é aliado do movimento xiita Hezbollah, que faz parte do governo e é a força militar mais poderosa no Líbano. Até agora, o exército libanês, composto por muçulmanos sunitas e xiitas, cristãos e drusos, não se desintegrou e conseguiu conter os confrontos em Trípoli.

Pela Constituição libanesa, o presidente é cristão, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o líder do Parlamento é muçulmano xiita, o que garante certo equilíbrio entre os três maiores grupos religiosos do país.

Apesar do Hezbollah possuir armas pesadas e ser o grupo mais forte, os outros grupos religiosos têm dezenas de milícias com armas leves, ligadas a famílias e tribos.

Suleiman teve na noite de hoje uma reunião com Mohammed Raad, chefe do Hezbollah no Parlamento, o qual afirmou que o grupo xiita está pronto a participar de um diálogo nacional.

Em Washington, Hillary alertou que qualquer "vácuo de poder" no Líbano poderá ser explorado pelo governo sírio. "Nós não queremos ver um vácuo da autoridade política legítima, que poderá ser aproveitada pelos sírios ou por outros. Isso criaria mais instabilidade e violência", ela disse.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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