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Presidente manda polícia 'atirar para matar' em quem descumprir quarentena nas Filipinas

Rodrigo Duterte instruiu que militares e policiais disparassem contra quem tentasse causar tumultos durante operações enquanto durar o isolamento

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 13h11

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, autorizou que as autoridades "atirem para matar" em quem tentar atrapalhar ou protestar contra a operação de distribuição de alimentos durante o período de quarentena determinado pelo governo como uma medida de combate ao coronavírus.

"Minhas ordens para a polícia, para os militares e para os oficiais municipais: se houver algum tumulto, se alguém tentar resistir e sua vida estiver em risco, atirem para matar", disse Duterte em um pronunciamento na televisão na noite de quarta-feira, 1.

Mais de 100 moradores de uma comunidade pobre de Quezon City, na região da capital, saíram às ruas na quarta-feira pedindo comida ao governo, mas foram dispersados pela polícia por suposta violaçãorem das regras de quarentena, informou o jornal local Philippine Star. Autoridades disseram que os manifestantes - alguns dos quais foram presos - foram indevidamente informados por uma pessoa não identificada que dinheiro e comida seriam distribuídos, levando-os a deixar suas casas.

Chefe da polícia das Filipinas, o general Archie Gamboa tentou justificar a fala do presidente. Em entretista ao ABS-CBN News Channel nesta quinta-feira, 2, Gamboa disse que a polícia não "atira para matar" e que as tropas entenderam que Duterte apenas "enfatizou demais" durante a crise.

A ordem de Duterte, muito semelhante aos comandos que passa quando o assunto é a política de combate às drgas no país, acontece no momento em que seu governo tenta impor um bloqueio de um mês em Luzon, a principal ilha das Filipinas. O país tem 2.311 casos de coronavírus, incluindo 96 mortes.

Por meio de uma lei que deu a Duterte mais poderes, seu governo destinou 200 bilhões de pesos, cerca de US$ 3,9 bilhões, para doações em dinheiro a 18 milhões de famílias pobres, no valor mínimo de US$ 98 por mês./ BLOOMBERG

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