Jorge Duenes/REUTERS
Jorge Duenes/REUTERS

Presidente mexicano confirma que país sediará negociações entre governo venezuelano e oposição

Conversas seriam mediadas por atores internacionais, com apoio da Noruega; data não foi revelada, mas fontes falam em 13 de agosto

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 09h00

CIDADE DO MÉXICO  - O México confirmou que sediará as negociações entre o governo venezuelano e a oposição, dias depois que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou o início do novo diálogo, que, segundo fontes citadas pela agência Reuters, começará na semana que vem, em 13 de agosto.

As conversas seriam mediadas por atores internacionais com o apoio da Noruega, que também foi facilitadora em uma tentativa anterior de negociação em 2019, que não produziu resultados significativos. "Aceitamos [sediar] porque buscamos que haja diálogos e acordos entre as partes", disse o presidente Andrés Manuel López Obrador em sua entrevista matinal, sem especificar a data das negociações. "Tenho esperança de que um acordo será alcançado."

Em maio, parte da oposição venezuelana, liderada por Juan Guaidó, mudou de estratégia e mostrou disposição em retornar às negociações para resolver a crise política no país, mas muitos ainda são céticos sobre as verdadeiras intenções do governo.

Maduro insiste em que a pauta precisa se concentrar na suspensão das sanções dos Estados Unidos, a maior parte imposta pelo ex-presidente Donald Trump há dois anos, em uma tentativa fracassada de tirá-lo do poder.

A Casa Branca acompanha a iniciativa da Noruega, mas já deixou claro que a suspensão das sanções que mais asfixiam o país - nesta semana foram liberadas operações comerciais de gás liquefeito de petróleo, GLP - só ocorrerá caso "sejam produzidos avanços significativos com a oposição, para alcançar eleições confiáveis, inclusivas e transparentes".

O presidente venezuelano tem lidado com um colapso econômico, social e político desde que assumiu o cargo, em 2013, e enfrenta acusações de corrupção, violações de direitos humanos e fraude na eleição de 2018, tanto de seus oponentes internos quanto dos Estados Unidos e da União Europeia. Ele nega todas as acusações.

Em junho, diplomatas de alto escalão em Washington, Bruxelas e Ottawa disseram que estariam dispostos a revisar as sanções ao governo se o diálogo com a oposição tiver um progresso significativo e levar a eleições livres e justas. Um recente comunicado de autoridades americanas, canadenses e da UE menciona, ainda, que as eleições devem ser “regionais, parlamentares e presidenciais”.

A Venezuela realiza eleições para governadores e prefeitos em 21 de novembro. A oposição, mais uma vez, está dividida sobre a participação no pleito, embora o governo tenha, pela primeira vez em anos, incluído pessoas não alinhadas com o regime no Conselho Nacional Eleitoral. / AFP e REUTERS

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