Presidente mexicano propõe acabar com as polícias municipais

Presidente mexicano propõe acabar com as polícias municipais

Peña Nieto apresenta uma série de medidas para combater a insegurança, a corrupção e a impunidade após o caso dos 43 estudantes de Iguala, no Estado de Guerrero, que estão desaparecidos

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2014 | 19h23


CIDADE DO MÉXICO - Enfrentando a pior crise desde que assumiu a presidência do México, Enrique Peña Nieto apresentou nesta quinta-feira, 27, uma série de medidas para combater a insegurança, a corrupção e a impunidade após o caso dos 43 estudantes de Iguala, no Estado de Guerrero, que estão desaparecidos e, segundo investigações, foram mortos pelo cartel Guerreros Unidos em cumplicidade com policiais.

Entre as medidas apresentadas está um plano para obrigar os Estados a criarem polícias únicas, eliminando as forças policiais municipais. A intenção é impedir que o crime organizado se infiltre nas organizações. “O novo modelo policial passará de "mais de 1,8 mil policiais municipais fracos, que com facilidade podem ser corrompidos pela criminalidade, para 32 corporações sólidas de segurança estatal”, explicou Peña Nieto.

O presidente afirmou que apresentará o plano ao Congresso na segunda-feira, 1º. Também serão apresentadas alterações na Constituição para criar uma lei contra o crime organizado e uma iniciativa para redefinir o sistema de jurisdição penal para que as instâncias do governo não tenham desculpas e atendam as denúncias de crimes. “O México precisa de soluções audaciosas e firmes, essa é uma delas”, disse Peña Nieto, acompanhado dos governadores dos 31 Estados do país e do chefe de governo do Distrito Federal. 

O caso dos 43 estudantes da escola rural de Ayotzinapa, que segundo as investigações foram mortos e queimados, comoveu o país e causou críticas à estratégia de segurança do governo de Peña Nieto, que há alguns meses comemorava a aprovação de uma série de reformas econômicas. 

Crimes. Ainda nesta quinta-feira, 11 corpos, a maioria deles decapitados, foram encontrados ao lado de uma estrada em Guerrero, mas o caso não parece ter ligação com o desaparecimento dos 43 estudantes. Alguns dos corpos estavam sem camisa e foram parcialmente queimados, segundo fotos publicadas pela mídia local.

Promotores de Guerrero disseram que o caso ocorreu na aldeia de Chilapa, no caminho para a escola de Ayotzinapa. Nesta parte do Estado, duas quadrilhas de crime organizado conhecidas como Los Rojos e Los Ardillos, derivadas da separação do cartel dos Beltrán Leyva, levaram a violência na região a níveis sem precedentes. / AFP e REUTERS

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