Sshenka Gutiérrez/EFE
Sshenka Gutiérrez/EFE

Presidente mexicano transforma-se em ‘muro’ de Trump

López Obrador tem sido criticado por ceder às exigências dos EUA e usar a violência para conter os imigrantes

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 07h00

CIDADE DO MÉXICO - O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, vem enfrentando duras críticas por ceder às exigências de seu colega americano, Donald Trump, e erguer um “muro virtual”, com forças de segurança, que entraram em choque com imigrantes centro-americanos perto da fronteira com a Guatemala nesta semana.

O México, que vem sendo ameaçado com tarifas por Washington, cedeu às demandas de Trump de conter as caravanas de imigrantes que cruzam o país rumo à fronteira sul dos EUA.

As concessões já haviam provocado críticas dos mexicanos, já que López Obrador assumiu o poder com a reputação de ser um político de esquerda que apóia os pobres, incluindo imigrantes dos outros países.

Mas as cenas dos agentes da Guarda Nacional do México marchando com escudos contra um grande número de imigrantes centro-americanos e usando bombas de gás lacrimogêneo provocaram condenações, incluindo das Nações Unidas.

López Obrador também tem sido questionado sobre o modo como a polícia militar e o Instituto Nacional de Imigração têm tratado os imigrantes.

“É um muro de escudos”, disse Duncan Wood, diretor no México do instituto americano Wilson Center. “Não achei que viveria para ver o dia em que o México faria uma coisa como essa.”

Trump fez da imigração uma questão central de sua campanha de reeleição e pressiona pela construção de um muro na fronteira entre os EUA e o México.

Funcionários mexicanos de várias agências da ONU disseram em uma declaração conjunta que ficaram preocupados com a operação de quinta-feira e seu impacto sobre as crianças e outras pessoas vulneráveis. “O México tem o direito de controlar a entrada de estrangeiros, desde que não haja o uso excessivo de força”, disse o grupo, exortando o governo mexicano a não separar as famílias.

A operação lançada pelas forças de segurança mexicanas durante a semana fez com que alguns pais perdessem temporariamente seus filhos. 

Imagens de TV mostraram a Guarda Nacional cercando famílias inteira e as colocando em ônibus para detenção e posterior deportação. Enrique Vidal, coordenador de direitos humanos do grupo Frade Matias de Cordova, que testemunhou os confrontos, disse que a Guarda Nacional iniciou o choque com os imigrantes.

Ele disse que alguns imigrantes foram agredidos, as forças de segurança usaram spray de pimenta contra mulheres, crianças e pessoas com deficiências. Um menor acabou morrendo.

Carava teria 'fins políticos', segundo o presidente

López Obrador defendeu a Guarda Nacional e o Instituto de Imigração em uma entrevista coletiva. Ele disse que a caravana de imigrantes centro-americanos não era espontânea e disse que foi organizada por ativistas hondurenhos com fins políticos.

As apreensões na fronteira entre os EUA e o México caíram cerca de 70% nos sete últimos meses. No entanto, as medidas adotadas pelo governo mexicano têm levado os imigrantes a buscar rotas mais perigosas, disse Christopher Gascon, chefe da missão no México da Organização Internacional de Imigrações, da ONU.

Na quinta-feira, o Instituto de Imigração disse que transferiu pelo menos 800 imigrantes, incluindo menores desacompanhados, a centros de imigração e lhes deu comida, atendimento médico e abrigo.

Segundo a Guatemala, pelo menos 4 mil pessoas cruzaram a fronteira de Honduras na semana passada, em uma das maiores caravanas desde que os governos centro-americanos assinaram acordos com o governo Trump assumindo a responsabilidade de lidar com os imigrantes. / REUTERS

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