Presidente mudou perfil de Forças Armadas

Os partidários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, negam os boatos de divisão dentro das Forças Armadas, afirmando que os militares sempre estiveram ao lado do líder bolivariano e apoiam o governo. De acordo com o analista Alfredo Ramos Jiménez, Chávez mudou o perfil do Exército depois de assumir a presidência, em 1999.

Renata Miranda, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2011 | 00h00

"Chávez transformou as Forças Armadas em um braço armado de seu partido político", disse Ramos Jiménez, autor do livro La revolución bolivariana: el pasado de una ilusión ("A revolução bolivariana: o passado de uma ilusão", em tradução livre).

Para Ramos Jiménez, recentemente, Chávez deu início a uma nova estratégia para fortalecer sua base de apoio entre os militares. Ele afirmou que as constantes visitas do presidente a academias de formação militar estariam destinadas a conquistar o apoio de jovens cadetes ao seu projeto de "socialismo do século 21".

"Chávez quer influenciar esses setores juvenis porque vê que está perdendo apoio", disse o analista. "No entanto, é difícil que ele consiga, porque são jovens que vivem mais de perto a situação de crise do país e, por isso, não se identificam com o governo do presidente."

Mudança. Chávez sempre teve entre seus aliados mais próximos integrantes das Forças Armadas - muitos deles participaram junto com ele da tentativa frustrada de golpe de 1992.

O historiador venezuelano Juan Romero, da Universidade de Zulia, explicou que, após o golpe de 2002 contra o governo, Chávez fez mudanças na estrutura de comando das Forças Armadas para tornar o grupo mais estável.

"Chávez era militar e, por isso, trabalhou para que seus companheiros das Forças Armadas se transformassem em uma extensão do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV)", disse Romero. "E essa estrutura armada tornou-se um ator político importante na Venezuela."

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