Presidente não consegue tirar Itália do impasse

Após encontrar líderes dos 3 maiores partidos, Napolitano pede 'tempo para reflexão'; Berlusconi oferece pacto a Bersani

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2013 | 02h05

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, suspendeu ontem as negociações para formar um gabinete em Roma, um dia depois de Pier Luigi Bersani - o mais votado nas eleições de fevereiro - ter anunciado o fracasso em forjar uma aliança capaz de governar o país. Napolitano disse precisar de "tempo para refletir", injetando mais incerteza no futuro político da Itália.

O escritório de Napolitano não revelou nenhuma data limite para a formação do governo. Ontem, Sexta-feira Santa, o veterano político de 87 anos reuniu-se com os líderes das três maiores alianças para discutir. Sem acordos, o chefe de Estado pode optar por um novo gabinete técnico de união nacional.

O ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi propôs ontem a Bersani, líder do Partido Democrático (PD, centro-esquerda), que o rival comande um governo de coalizão. Italianos foram pegos de surpresa pelo anúncio de Berlusconi, líder do Partido Povo da Liberdade (PDL, centro-direita), que repôs na mesa de negociações a hipótese de um governo de coalizão "em nome dos interesses do país". "Precisamos encontrar juntos uma maneira de fazer nascer um governo."

Apesar das denúncias de corrupção e dos processos que enfrenta na Justiça, Berlusconi obteve o segundo lugar nas eleições para a Câmara dos Deputados, com 29,2% dos votos, 0,3% atrás de Bersani. Juntos, os dois partidos teriam ampla maioria também no Senado, onde o PD carece de apoio. Ontem, Il Cavaliere pediu ao PD que indique uma candidatura ao posto de primeiro-ministro, e o nome será então apoiado. "A do secretário do PD, Pier Luigi Bersani, nos convém, assim como outras", ressaltou. "Nós acreditamos que existe uma solução."

Até o momento, Bersani se negou a aceitar uma coalizão com Berlusconi, propondo a aliança ao líder "antissistema" e comediante Beppe Grillo, do Movimento 5 Estrelas (M5S). Grillo, porém, se recusa a embarcar no governo.

Diante do impasse, Napolitano pensa em duas alternativas. A primeira é tentar um acordo em torno de Bersani. A segunda, buscar um nome "técnico" de consenso para substituir Mario Monti em um novo governo tecnocrata.

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