''Presidente não entende nada de agricultura''

ENTREVISTA - José Ignácio García Hamilton: Deputado oposicionista e historiador

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2008 | 00h00

A presidente Cristina Kirchner e o ex-presidente Néstor Kirchner "não entendem nada de agricultura", afirma o deputado federal José Ignácio García Hamilton, da oposicionista União Cívica Radical. Em entrevista ao Estado, García Hamilton, que também é um dos mais respeitados historiadores do país, diz que a rebelião fiscal iniciada há mais de três meses pelo ruralistas contra aumentos de impostos não tem precedentes no país.Que resultado espera da votação do projeto do governo?Há poucos dias o governo tinha maioria folgada (no Congresso). Mas a situação mudou. Os deputados estão sendo pressionados pela opinião pública. O Congresso terá um intenso debate, como não se vê faz tempo.A presidente não imaginava que haveria tal reação dos ruralistas?O casal Kirchner não entende nada de agricultura. Não sei se é porque fez carreira numa província, a de Santa Cruz, onde quase não há agricultura. Eles estavam acostumados a administrar uma província que vivia de royalties de gás e petróleo e acham que podem fazer isso com o setor agrícola. Esses impostos são confiscatórios, pois superam a faixa de 35%. Até quando os ruralistas poderão continuar com seus protestos contra os impostos?Essa é uma rebelião fiscal. Tal como a rebelião que deu origem à Carta Magna na Inglaterra na Idade Média. Essas rebeliões só terminam quando os impostos extorsivos são suspensos. Os ruralistas podem enfrentar o governo por muito mais tempo. Os agricultores têm de pagar ao governo mais de 45% de impostos, além de tributos provinciais e municipais. Obviamente, isso gerou uma rebelião fiscal sem precedentes na Argentina. Há 45 anos o Ministério da Agricultura foi extinto e a pasta foi rebaixada a secretaria. Isso é sinal do pouco caso dos governos com o setor agropecuário?No final do século 19 e começo do 20, a agricultura era o setor econômico mais importante do país. Com a chegada de Juan Perón ao poder, em 1946, isso mudou. A atividade foi negligenciada. Isso coincidiu com o início da decadência do país. O descaso com o setor agravou-se com o casal Kirchner.

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