Presidente nem sempre é bem-vindo em palanque

Sob o risco de perder a maioria democrata no Congresso nas eleições de novembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, tornou-se alvo de fogo amigo dos dois extremos do seu partido. Candidatos de ambos os lados já deixaram claro que preferem o presidente distante de seus palanques. Irritado com as acusações da esquerda de que as reformas de Obama foram tímidas, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, acentuou o atrito.

, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2010 | 00h00

"A esquerda nunca está satisfeita", lamentou Gibbs, em entrevista ao jornal The Hills. "Ouvi essas pessoas dizerem que ele (Obama) é igual ao (ex-presidente) George W. Bush. Essas pessoas deveriam fazer teste antidoping."

Segundo o analista conservador Michel Barone, a esquerda dos democratas é tradicionalmente crítica ao governo de seu partido. Mas, o confronto de Gibbs, um dos escudeiros mais antigos e próximos de Obama, não ajuda em nada o presidente, cuja popularidade está em queda. De 68%, em janeiro de 2009, para 44%, em agosto, segundo o instituto Gallup.

A situação não é menos crítica com a direita do partido Democrata, para quem Obama foi longe demais com as reformas do sistema de saúde e de Wall Street, além de ser tolerante com os imigrantes ilegais. Fortemente ligado a Obama, o senador Michael Bennet ainda resiste em anunciar a presença do presidente a seu lado nos comícios no do Colorado. Os democratas Joe Donnelly, de Indiana, e Traves Childers, de Mississippi, concorrem à reeleição na Câmara dos Deputados com discursos de oposição à Casa Branca.

O desafio maior de Obama está nos Estados conservadores e nos que não têm posição clara em cada eleição. Boa parte dessas regiões registra taxa de desemprego mais elevadas que a média nacional, de 9,5%. "A mensagem republicana será: os democratas gastaram muito não reativaram a economia; nós podemos fazer isso com menos dinheiro público e menos impostos", resumiu Barone.

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