Amos Ben Gershom, Israeli Government Press Office via AP
Amos Ben Gershom, Israeli Government Press Office via AP

Shimon Peres é enterrado em Jerusalém

Em funeral, Barack Obama pediu que Israel assuma suas responsabilidades e retome o processo de paz; Abbas e Netanyahu se cumprimentam

O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2016 | 10h24

JERUSALÉM - O ex-presidente de Israel e prêmio Nobel da Paz, Shimon Peres, foi enterrado nesta sexta-feira, 30, em Jerusalém em uma cerimônia de Estado emotiva, que contou com a presença de alguns líderes políticos.

Antes do início do evento, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, apertaram as mãos e trocaram algumas palavras. "Quanto tempo, quanto tempo", disse Abbas a Netanyahu e à mulher do premiê, Sara, após cumprimentá-los.

Ao receber Abbas, em encontro gravado por participantes em celulares, Netanyahu comentou a presença do palestino. "Isso é algo que aprecio muito em nome do nosso povo e de todos nós".

Ainda assim, a visita de Abbas à cidade, próxima aos bloqueios militares israelenses em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, não deve provocar nada além do apertos de mãos.

Veja abaixo: Netanyahu e Abbas apertam as mãos no funeral de Shimon Peres

As negociações entre as duas partes estão congeladas desde 2014. Netanyahu e Abbas estão profundamente divididos sobre assentamentos judeus nos territórios em que palestinos buscam criar um Estado, e não realizam conversas presenciais sobre o assunto desde 2010.

Pedido. Durante o funeral, o presidente dos EUA, Barack Obama, exortou os israelenses a assumirem suas responsabilidades e a retomarem o processo de paz. "Nossa presença aqui é um gesto e uma lembrança de que a paz não é um assunto encerrado", declarou ele, que destacou que “o povo judeu não nasceu para governar outro povo".

"Peres me disse uma vez que, desde a sua criação, o povo judeu esteve contra escravos e amos, e que os palestinos devem ser tratados de igual para igual, porque esse era seu sentido de justiça", declarou Obama antes de começar a descrever o legado de um "sonhador", uma pessoa que qualificou como "o último dos líderes da geração dos fundadores".

"Sou o 10º presidente americano desde John F. Kennedy que sucumbe a seus encantamentos", afirmou o presidente americano em seu discurso, o último da cerimônia que durou aproximadamente duas horas e na qual o caixão de Peres esteve o tempo todo coberto com a bandeira de Israel.

Obama havia chegado apenas uma hora antes do início do funeral, que aconteceu no Monte Herzl, em Jerusalém, ao lado do túmulo do visionário do Estado judeu, Theodor Herzl, na parte destinada aos "Grandes da Nação" israelense.

Homenagens. Peres foi enterrado entre dois de seus antecessores, Yitzhak Rabin e Yitzhak Shamir, seguindo o ritual judeu, em meio às orações de cinco rabinos militares e na presença da família e dos convidados de maior destaque, enquanto os outros participantes deixavam o local ou assistiam à cerimônia em telões.

O presidente israelense, Reuven Rivlin, e Netanyahu louvaram a disposição de Peres como pessoa, político e estadista. "Peres era um exemplo de otimismo, de busca pela paz e de amor por Israel. Shimon viveu uma vida de grandeza. Foi um grande homem de Israel e um grande homem do mundo", afirmou Netanyahu, ao assegurar que seu legado não morre com ele.

Rivlin, por sua vez, falou "de presidente para presidente" e descreveu Peres como um "irmão mais velho". Além disso, o chefe do Estado judeu acrescentou que o ex-presidente "volta para a terra" hoje, mas que "sua visão não será enterrada". "Para nós, o Estado de Israel não foi algo óbvio, mas hoje é um fato consumado", disse diante de dezenas de dirigentes estrangeiros.

Mais de 30 de chefes de Estado e de governo estavam presentes na cerimônia e, segundo o escritório de imprensa do governo israelense, 90 delegações de 70 países chegaram a Israel nas últimas horas para participar do funeral do homem que levou adiante o processo de paz de Oslo com os palestinos, pelo qual recebeu o prêmio Nobel da Paz junto a Rabin e Arafat.

Além de Obama, estavam presentes o ex-presidente americano Bill Clinton, o presidente do Conselho da Europa, Donald Tusk, entre outros. / REUTERS e AFP

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