Presidente palestino pede trégua imediata em Gaza

Abbas acusa o Hamas de tentar um golpe de Estado; Onda de violência toma as ruas de Gaza durante confronto entre grupos rivais, membros do governo de coalizão

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu nesta terça-feira, 12, novamente que as milícias armadas parem imediatamente os ataques e confrontos em Gaza.O Fatah afirmou que seu Comitê Central se reuniria às 20h (15h em Brasília) a fim decidir sobre a continuidade ou não do governo de unidade nacional formado com o Hamas em março, em meio a esforços para interromper os conflitos internos e amenizar o boicote imposto por países do Ocidente. Em um ultimato semelhante a uma declaração de guerra, o braço armado do Hamas deu à Fatah um prazo que se encerra às 14h para retirar da cidade de Gaza seu pessoal de inteligência militar, guarda presidencial, segurança nacional e segurança preventiva. Depois de o prazo ter se esgotado, combatentes do Hamas atacaram um grande prédio controlado pelas forças de segurança ligadas à Fatah em Gaza e cercaram o principal complexo de segurança da cidade. Em contrapartida ao pedido de cessar-fogo de Abbas, comandantes das Forças lideradas pela ANP ordenaram que suas unidades defendam os postos do Fatah contra os ataques promovidos pelo Hamas, para que o que chamam de ´golpe de estado´ seja derrotado.Abbas reforçou o pedido de cessar-fogo na cidade de Ramala, na Cisjordânia, onde nesta terça, militantes de seu partido Fatah seqüestraram o vice-ministro de Transportes e membro do Hamas, Fadi Shabani.O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) afirmou que tomou todas as posições de segurança no norte e no centro de Gaza e exigiu a rendição do Fatah, o que, para o presidente ANP e líder nacionalista, tem traços de golpe de Estado."Todos as informações indicam que a tendência dos dirigentes políticos e militares do Hamas estão planejando um golpe contra as legítimas instituições e significa que poderão tomar o controle em Gaza pela força", afirma um comunicado pela ANP.Insurgentes do grupo islâmico tentam tomar vários quartéis dos órgãos de segurança da ANP em Gaza, segundo chefes militares filiados ao Fatah.AcusaçõesO porta-voz do Hamas acusou os partidários do Fatah de tentar matar o primeiro-ministro Ismail Haniyeh.Insurgentes palestinos lançaram nesta madrugada uma granada antitanque contra a casa de Haniyeh, na Faixa de Gaza, informaram testemunhas.O explosivo causou danos materiais, mas não houve vítimas. Haniyeh e sua família estavam no local, informaram esta manhã fontes do movimento islâmico Hamas.Governo de CoalizãoNo mês de fevereiro, membros do Hamas e do Fatah anunciaram um acordo para a formação de um governo de coalizão e uma trégua. Com a união dos rivais para num governo palestino, os grupos esperavam reverter a crise gerada pela vitória do islâmico Hamas nas eleições de 2006.A vitória do grupo levou a região a uma profunda crise econômica. A comunidade internacional impôs o embargo contra os palestinos, já que o Hamas se recusou a reconhecer a existência do Estado de Israel.O Fatah é uma facção ligada ao líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004. Líderes do grupo acreditam que a luta contra Israel é a chave para obrigá-los a aceitar as negociações pela paz e a criação de um Estado palestino independente. O grupo reconhece o direito de existência do Estado israelense e por conta disso, é melhor aceito pela comunidade internacional.O Hamas é um movimento islâmico e de posicionamento contrário à formação de um Estado israelense em terras que considera islâmicas. O grupo tem cerca de três mil seguidores que atuam na Faixa de Gaza.Embargo internacionalAntes de se encontrar com o chefe da diplomacia da União Européia (UE), Javier Solana, o ministro palestino da Informação, Mustafa Barghouti, pediu que a União Européia reconheça a unidade de governo palestina e afirmou que o embargo imposto pela comunidade internacional é o grande responsável pelo deterioramento da situação em Gaza e em todo o Oriente Médio.Matéria ampliada às 14h02.

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