Presidente paquistanês deixa comando do Exército 'em dias'

Musharraf reitera saída das Forças Armadas no dia em que opositores formalizaram candidaturas para eleições

Agências internacionais,

26 de novembro de 2007 | 13h19

O escritório do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, afirmou nesta segunda-feira, 26, que ele deixará o comando das Forças Armadas do país "em dias", abrindo caminho para o seu segundo mandato na chefia do governo, dessa vez apenas como representante civil.   Veja também:  Oposição formaliza candidaturas para eleições no Paquistão   O anúncio foi feito no mesmo dia em que os dois grandes rivais políticos do general Musharraf, os ex-primeiros-ministros Nawaz Sharif e Benazir Bhutto, registraram suas candidaturas às eleições legislativas de 8 de janeiro no Paquistão, mas ainda sem a confirmação se concorrerão ou se boicotarão o pleito.   Segundo a BBC, o porta-voz Rashid Qureshi afirmou que Musharraf abandonará o cargo até a quinta-feira, antes de assumir um novo mandato como presidente.   Em meio a temores sobre possíveis episódios de violência política, o ex-premiê paquistanês Nawaz Sharif retornou neste domingo ao país, vindo da Arábia Saudita, onde estava exilado havia sete anos.   Após entregarem os documentos para se inscreverem nas eleições no último dia de prazo, Sharif estendeu a mão à líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), apesar da antiga rivalidade que os dois mantêm desde os anos 1990, quando se alternaram no poder. "Eu gostaria que Benazir Bhutto seguisse o código de conduta que ela assinou comigo no ano passado para formar uma frente comum contra Musharraf", afirmou o líder da Liga Muçulmana-Nawaz, citado pela emissora de televisão "Dawn".   O PPP, maior partido de oposição no Paquistão, acabou se retirando desta frente comum e negociando com o regime de Musharraf. O general concedeu uma anistia a Bhutto e facilitou seu retorno ao país no dia 18 de outubro.   A ex-premiê Benazir Bhutto afirmou que está disposta a definir uma aliança política com Sharif. "Estamos prontos para formar uma aliança com todos os partidos moderados", disse Bhutto em declarações a jornalistas em Larkana, sul do país. Nesse sentido, "Sharif é bem-vindo, seu retorno reforçará a cultura democrática".   No entanto, ao chegar ao Paquistão, no domingo, Sharif ameaçou boicotar as eleições de janeiro caso Musharraf não retire o estado de emergência imposto no início do mês. Além disso, nesta segunda, ele disse que caso fosse eleito, não aceitaria comandar nenhum governo enquanto Musharraf estiver no poder.   Emergência   Musharraf assegurou um segundo mandato de cinco anos ao decretar estado de emergência no Paquistão e destituir os juízes da Suprema Corte que poderiam anular sua reeleição, em 6 de outubro, pelo Parlamento. Agora, em meio a pressões internas e dos EUA, espera-se que Musharraf renuncie à chefia do Exército e preste juramento como um presidente civil nos próximos dias.   Na semana passada, o presidente mandou libertar as mais de 5.500 pessoas que haviam sido presas desde o dia 3, mas rejeitou levantar o estado de emergência enquanto não melhorar a segurança no país.

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