Presidente paquistanês não renunciará para evitar impeachment

Porta-voz de Musharraf rechaça especulações no dia em que coalizão prepara processo de destituição

Associated Press e Reuters,

11 de agosto de 2008 | 09h46

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, não pretende renunciar, segundo afirmou nesta segunda-feira, 11, o general aposentado Rashid Qureshi, porta-voz do chefe de governo. A declaração foi feita no mesmo dia em que a coalizão formada pela oposição prepara para iniciar o processo de impeachment de Musharraf, um dos mais importantes aliados dos Estados Unidos na região. Musharraf é o centro de uma crise política desde o ano passado, depois de sua contestada reeleição. A aliança política liderada pelo partido da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada durante comício para as eleições parlamentares, anunciou na última quinta-feira que pediria a destituição do presidente por ele mergulhar o Paquistão em uma crise política e econômica sem precedentes em seus quase 9 anos no poder, Apesar das especulações de que Musharraf poderia renunciar para evitar o impeachment e perder seus direitos políticos, o general aposentado Qureshi, porta-voz do presidente, rechaçou a possibilidade. Para dar início ao processo de impeachment, a coalizão precisa dos votos de 50% dos parlamentares - algo que pode demorar até duas semanas. Em seguida, o grupo precisa obter dois terços dos votos em uma sessão conjunta do Senado e da Assembléia Nacional para destituir o presidente.  Musharraf, que assumiu o poder em 1999 após depor o ex-premiê e um dos líderes da coalizão opositora, Nawaz Sharif com um golpe de Estado, foi enfraquecido no fim do ano passado depois que deixou o comando das Forças Armadas para se tornar um presidente civil. Em fevereiro, seus aliados foram derrotados nas eleições parlamentares. Desde então, os poderes de Musharraf para governar foram reduzidos. Mesmo assim, ele vem resistindo às pressões para deixar o cargo.  O processo de impeachment deve aumentar a instabilidade no Paquistão - aliado dos EUA no combate ao terrorismo -, que já enfrenta graves problemas econômicos e uma crescente ameaça de extremistas islâmicos. Os EUA afirmam que a fronteira do país com o Afeganistão abriga rebeldes do Taleban e da Al-Qaeda.

Tudo o que sabemos sobre:
Paquistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.