Presidente paquistanês planeja deixar Forças Armadas

Pervez Musharraf pode tornar-se um líder civil para evitar críticas à sua reeleição no plentio de outubro

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

17 de setembro de 2007 | 07h34

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, planeja afastar-se da função de chefe do Exército e virar um líder civil, afastando assim a principal causa de objeção à sua possível reeleição em outubro, informou nesta segunda-feira, 17, uma autoridade do partido governista. "Esperamos que, após o processo de sua reeleição no mês que vem, se Deus quiser, o general Musharraf assumirá como presidente civil antes de 15 de novembro", afirmou à Reuters o senador Mushahid Hussain Sayed, secretário-geral da Liga Muçulmana Paquistanesa. Musharraf manteve o posto de chefe do Exército depois de ter tomado o poder durante um golpe militar em 1999, apesar de pedidos da oposição para que abandonasse a dupla função.   Sua transformação em civil seria uma vitória para a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que coloca essa como uma das condições para a formação de uma coalizão com Musharraf. Bhutto, do Partido do Povo Paquistanês, anunciou na sexta-feira que voltará ao seu país em 18 de outubro, após mais de oito anos de auto-exílio e depois de ocupar em dois períodos a chefia do governo. Sem o comando do Exército, o poder de Musharraf ficará mais diluído. O Paquistão foi governado por generais durante mais de metade dos seus 60 anos de história independente. Musharraf no passado já se referiu à farda como uma "segunda pele", mas assessores dizem que nos últimos meses ele vem se conformando com o fato de voltar à vida civil. O senador Sayed disse que Musharraf vai respeitar a Constituição e deixar o Exército até o fim de 2007. Seu mandato presidencial termina em 15 de novembro. "Sim, não tenho dúvida de que o presidente manterá seu compromisso", disse Sayed, que recentemente encontrou Musharraf.   Repercussão internacional Os EUA, de quem Musharraf virou aliado incondicional após os atentados de 11 de setembro de 2001, acompanham o assunto com interesse, temendo as consequências de uma eventual instabilidade no país, que tem armas nucleares e grande presença de militantes islâmicos do Taliban e da Al Qaeda. A vizinha Índia também monitora os acontecimentos no Paquistão, país com o qual Nova Délhi mantém há três anos e meio um processo de paz ainda inconclusivo a respeito da disputa pela Caxemira.   (Reportagem adicional de Kamran Haider)

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