Rafael Marchante/Reuters
Rafael Marchante/Reuters

Presidente pede pressa a novo premiê de Portugal

Cavaco Silva reúne-se com Pedro Passos Coelho, vencedor das eleições, e pede que novo governo do país seja formado nas próximas duas semanas

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

Portugal tem pressa na formação de um novo governo. Ao menos na visão do presidente do país, Aníbal Cavaco Silva, que ontem se reuniu com o futuro primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho. Eleito no domingo, o economista de 46 anos, líder do Partido Social Democrata (PSD), deve formar seu gabinete de nas próximas duas semanas, substituindo o Partido Socialista (PS).

O PSD obteve 38,6% dos votos na eleição de domingo. Logo atrás ficou o PS com 28,1%, seguido da coligação de direita CDS-PP com 11,7%. Para formar o próximo governo, Passos Coelho já chamou Paulo Portas, ex-candidato da direita, que aceitou o convite.

Após o acordo, o primeiro encontro entre o chefe de Estado e o futuro chefe de governo ocorreu ontem. Quebrando o protocolo, segundo o qual um novo gabinete só pode ser convocado após o anúncio definitivo dos resultados da eleição e da consulta aos partidos que formam o Parlamento, Cavaco Silva pediu a Passos Coelho pressa na substituição do governo demissionário de José Sócrates.

Em entrevista à agência Reuters, Passos Coelho comprometeu-se a montar seu governo em um prazo de duas a três semanas e reafirmou que cumprirá todos os compromissos de austeridade fiscal firmados por Sócrates em troca de ? 78 bilhões do plano de socorro financiado por União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não queremos ser um peso para os nossos parceiros europeus, nem mais um dia, nem mais um segundo", afirmou.

De acordo com Passos Coelho, é possível que o governo vá além do acertado com UE e FMI, impondo ao Estado uma reforma estrutural e um rigor fiscal ainda mais forte do que o acordado. "Faremos aquilo que for necessário, durante o tempo que for necessário, para as medidas mais importantes poderem ser tomadas", disse o futuro premiê, que prometeu também "mais concorrência" e "um processo de privatizações transparente" em Portugal.

Programa. Entre as medidas previstas no plano de governo do PSD estão a redução do tamanho do Estado, a extinção de ministérios - de 17 para 10 -, a redução do número de deputados de 230 para 181 e a venda de ações do governo em empresas de capital misto, como a companhia aérea TAP.

As medidas teriam como objetivo principal afastar o risco de default causado pelo déficit público de 9,1% e pela dívida, equivalente a 93% do Produto Interno Bruto (PIB) - ou ? 160,4 milhões.

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