REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Presidente do Peru deixa o Brasil após destituição de promotores da Lava Jato

Martín Vizcarra participaria da posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro

EFE, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 02h20

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, decidiu, nesta segunda-feira, deixar antecipadamente o Brasil, onde participaria da posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, após a destituição dos promotores que investigam o caso Lava Jato no Peru.

"Diante desses novos fatos, decidi antecipar meu regresso para continuar liderando a luta contra a corrupção e a impunidade", afirmou Vizcarra, em seu Twitter oficial. 

O procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, destituiu nesta segunda-feira o coordenador da equipe especial Lava Jato, Rafael Vela, e o promotor José Domingo Pérez, encarregado das investigações contra o líder da oposição Keiko Fujimori e o ex-presidente Alan García.

Chavarry, que está sob investigação por supostas ligações com uma rede de corrupção no Judiciário, argumentou que os promotores violaram o princípio da hierarquia no Ministério Público, tendo questionado seu mandato. 

A esse respeito, Vizcarra manifestou, em outra mensagem no Twitter, sua "forte rejeição da remoção dos promotores encarregados dos casos mais importantes de investigação de corrupção." 

"A luta frontal contra a corrupção e a impunidade é uma política prioritária do governo, uma necessidade urgente e uma causa cidadã", ressaltou o governante.

A vice-presidente, Mercedes Araoz, encarregada pelo gabinete presidencial, declarou à emissora "Canal N" que Vizcarra deveria retornar para Lima no final da tarde de terça, mas que "está antecipando sua viagem neste momento." Ela criticou que Chavarry tenha anunciado sua decisão "no final do ano para surpreender a população, com o presidente em viagem".

Após anunciar sua decisão, Chavarry afirmou que o coordenador da equipe especial será o procurador-geral Frank Robert Almanza e Domingo Perez será substituído pelo promotor provincial Marcial Eloy Paucar. Chavarry estava acompanhado de Almanza e Paucar, mas apenas leu um pronunciamento e se negou a aceitar perguntas dos jornalistas, que questionaram se sua decisão é uma represália pelo confronto que teve com Perez e Vela. 

No dia 26 de dezembro, Perez denunciou Chavarry por encobrimento dentro das investigações contra Keiko Fujimori, que cumpre 36 meses de prisão preventiva, por lavagem de dinheiro. O promotor acusou Chavarry de cometer crime contra a administração da Justiça nas modalidades de encobrimento pessoal e real, além de ter executado "atos para entorpecer ou obstruir o acordo de colaboração premiada com a empresa Odebrecht."

A presença de Chavarry como procurador-geral foi questionada desde que assumiu o cargo, em julho passado, pois ele estaria ligado a rede de corrupção no Judiciário, supostamente liderada pelo juiz César Hinostroza, atualmente detido na Espanha. 

No entanto, os diferentes pedidos para o Congresso avaliar sua permanência no cargo, que até já foram feitos pelo presidente Vizcarra, foram bloqueados pela bancada majoritária do partido fujimorista Força Popular. 

 

 

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