Presidente pode deixar Exército do Paquistão nesta semana

Oposição ameaça boicotar eleições parlamentares caso Musharraf não revogue estado de emergência no país

Agências internacionais,

21 de novembro de 2007 | 08h25

Partidos opositores paquistaneses se mostraram nesta quarta-feira, 21, inclinados ao boicote das eleições parlamentares confirmadas pelo Conselho Eleitoral para o dia 8 de janeiro. Ainda nesta quarta, colaboradores do presidente Pervez Musharraf afirmaram que ele pode deixar o comando do Exército ainda no fim desta semana, caso o Supremo Tribunal autorize o seu segundo mandato como presidente. Veja também:Cronologia do estado de emergência no PaquistãoEntenda a crisePelo menos 40 supostos insurgentes morrem no Paquistão Segundo o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, o presidente abandonará o comando do Exército em dias se o Tribunal aprovar a sua recente reeleição como presidente. O general já tinha prometido anteriormente deixar o comando das Forças Armadas, uma das velhas reivindicações da oposição, até o fim de novembro. Além da saída de Musharraf do Exército, os opositores ameaçam boicotar as eleições caso o estado de emergência declarado por Musharraf, em vigor desde 3 de novembro, não seja retirado. O presidente alegou a medida por conta da deterioração da lei e da ordem e às "ingerências" da Justiça no trabalho do governo. A Suprema Corte do Paquistão, formada por juízes escolhidos pelo general Pervez Musharraf rejeitou na segunda-feira os questionamentos legais sobre a polêmica reeleição do presidente em 6 de outubro. O presidente do Paquistão retornou nesta quarta para o país após uma breve visita de um dia à Arábia Saudita para discutir o futuro de seu rival político exilado no país, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. Segundo o jornal britânico Financial Times, Sharif pode voltar para o Paquistão na próxima semana se a Arábia Saudita chegar a um acordo com Musharraf. O ex-premiê, que pretende retornar para participar da campanha eleitoral, declarou ao jornal que seu caso estava na agenda das conversas entre as autoridades sauditas e Musharraf.  Em sua residência, a ex-premiê Benazir Bhutto adiou a decisão de boicotar o pleito parlamentar. Anteriormente, ela afirmou que a eleição não seria legítima caso Musharraf insistisse em realizá-la sob estado de emergência, ou seja, sem a validade da Constituição. O presidente suspendeu a Constituição por conta do que classificou como "ameaças" que a nação enfrenta. Ele justificou a medida citando níveis supostamente sem precedentes de violência promovida por extremistas islâmicos. Mas analistas avaliam, segundo a BBC, que seu principal objetivo teria sido atingir o Judiciário, a quem Musharraf acusa de interferir nas políticas do governo e de enfraquecer a luta contra os extremistas.

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