Carlos Costa/AFP
Carlos Costa/AFP

Presidente português dialoga com partidos para tentar solucionar crise 

Eles discutem a possibilidade de dissolver a Assembleia da República e estabelecer a data de eleições antecipadas para tentar encerrar a crise após Parlamento rejeitar Orçamento do premiê socialista  

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 15h23

LISBOA - O presidente de Portugal, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou neste sábado, 30, as conversas com os partidos com assento parlamentar para discutir a possibilidade de dissolver a Assembleia da República e estabelecer a data de eleições antecipadas para tentar encerrar a crise política no país. No dia 27, a proposta de Orçamento apresentado pelo governo do premiê socialista António Costa para 2022 foi rejeitada pelo Parlamento.

Antes de comunicar sua decisão, o presidente está fazendo uma rodada de contatos com os principais atores do país e hoje foi a vez dos partidos com representação parlamentar, que estão divididos e, alguns deles, até em guerras internas sobre o tema.

O governo socialista já afirmou que quer eleições o mais rápido possível para não prolongar as incertezas sobre o futuro do país, mas seus ex-parceiros de esquerda insistem que há alternativas. “A Constituição permite outros caminhos e todos eles devem ser considerados," disse hoje o líder parlamentar dos Verdes, José Luís Ferreira, ao deixar o seu encontro com o presidente.

O Bloco de Esquerda e os comunistas afirmaram também nos últimos dias que a rejeição das contas de 2022 - contra as quais votaram - não conduz necessariamente a um avanço eleitoral e que é mesmo possível apresentar um novo Orçamento.

Ainda assim, os socialistas já pensam em eleições com o primeiro-ministro António Costa à frente, que confirmou que será o candidato. A ala precisa definir qual estratégia seguirá na eventual campanha: atacar a esquerda em busca da maioria absoluta, como em 2019, ou construir pontes pensando em uma aliança.

O atual ministro das Relações Exteriores, Augusto Santos Silva, disse esta semana que não descarta a possibilidade de uma nova "geringonça", como é chamado o governo de coligação em Portugal.

Por outro lado, a líder do bloco, Catarina Martins, considerou, em entrevista publicada hoje pelo Expresso, que se os socialistas não conseguirem a maioria absoluta terão de "repensar" e negociar com a esquerda.

Os conservadores não fecharam as portas a Costa, e o líder da oposição, Rui Rio (PSD, centro-direita), está disponível para dialogar com os socialistas se for o caso.

À direita, a crise surge em um momento de divisão interna dos principais partidos. O PSD está no meio de uma guerra pela presidência do partido, que Rio detém desde 2018, muito disputado por sua fraca oposição ao governo socialista.

Rio enfrentaria o eurodeputado Paulo Rangel nas primárias, presumivelmente em dezembro, mas a convocação de eleições antecipadas pode mudar esses planos.

"Portugal tem de estar em primeiro lugar, não podemos esperar tanto", disse Rio ontem à noite em entrevista à rede portuguesa SIC, onde defendeu o adiamento da eleição interna do PSD e a realização de eleições legislativas na primeira quinzena de janeiro.

Rangel pediu que as eleições fossem deixadas, pelo menos, para fevereiro, para dar tempo aos partidos para se reorganizarem.

Em situação semelhante estão os democratas-cristãos do CDS, onde a atual direção acaba de adiar o congresso marcado para novembro para eleger um presidente, o que não agradou aos adversários.

O CDS perdeu peso eleitoral nos últimos anos, mas é chave para alianças de direita e já apareceu por diversas vezes em coligações com o PSD, com quem governou entre 2011 e 2015.

Outro partido decisivo para essas alianças é o Chega, de extrema direita, que agora tem apenas um deputado, mas que deve crescer significativamente nas urnas.

O PSD admitiu negociar com Chega "se o partido se moderar" e o líder da extrema direita, André Ventura, foi hoje favorável às eleições "o mais rapidamente possível". “São os partidos que têm de se adaptar ao país, não o país aos partidos”, disse. / EFE

 

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