Presidente reconhece relevância dos EUA

Presidente diz que a atual tensão entre os governos americano e israelense pode ser a chave para uma negociação de paz

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL / RAMALLAH, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Ao final de sua jornada por Israel e pela Cisjordânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que os Estados Unidos têm um papel mais relevante na solução negociada do que o de um tradicional mediador.

O presidente brasileiro declarou que o "impossível" - a crise entre os EUA e Israel, criada pelo anúncio da expansão de assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental - pode ser a "chave" para o lançamento e a conclusão de um processo de paz.

Até o fim de semana, quando embarcou para o Oriente Médio, a posição de seu governo tinha como foco a ambição de incluir o Brasil e outros países entre os mediadores do conflito palestino-israelense.

"O que parecia impossível aconteceu: os EUA divergindo de Israel. Quem sabe, essa divergência era a coisa mágica que faltava para que se chegasse a um acordo", afirmou Lula, depois de um encontro reservado com Abbas. "De vez em quando, acredito que uma desavença inesperada entre dois aliados pode ser a chave do sucesso de um acordo."

A expectativa brasileira é a de que a recente irritação do governo americano com Israel force o gabinete do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, a engajar-se seriamente nas negociações com a AP. A medida é vista pelos EUA como o meio essencial para enfraquecer a influência do Irã na região. No Itamaraty, avalia-se que os EUA finalmente deram-se conta de que o governo teocrático do Irã, país muçulmano de origem persa, alimenta-se do conflito entre israelenses e palestinos para consolidar sua hegemonia no Oriente Médio.

Teerã move as peças do tabuleiro com o objetivo de debilitar Israel e atingir os EUA. Para isso, vale-se do financiamento ao Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e cujas posições radicais impedem a necessária unidade palestina na mesa de negociação do processo de paz. Quanto mais tempo durar a cisão entre palestinos, melhor para o Irã e pior para Israel e o seu padrinho, os EUA.

Obama. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que os planos de Israel de construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental não ajudam no processo de paz. Mas ele afirmou que a questão não levou a uma crise entre Israel e EUA. "Israel é um dos nossos aliados mais próximos e temos um elo que não vai acabar", disse ele à Fox News. "Mas amigos às vezes discordam."

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