Presidente rejeita novamente tropas da ONU em Darfur

O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, reiterou neste domingo sua rejeição ao posicionamento de uma força de pacificação da Organização das Nações Unidas (ONU) na conturbada região sudanesa de Darfur, no oeste do país. O líder sudanês manifestou sua posição na cerimônia de inauguração da nova sede do Arquivo Nacional do Sudão, em Cartum.Assim, Bashir respondia às declarações do subsecretário do Estado britânico para Assuntos Africanos, lorde (David) Triesman, à rede de televisão BBC, nas quais este disse que o mundo não pode ficar de braços cruzados diante das violações realizadas em Darfur."As ameaças não nos intimidam, pois somos descendentes de um povo revolucionário. Tropas estrangeiras não se posicionaram e nunca se posicionarão em Darfur. Além disso, os trabalhos que a força de pacificação da União Africana (UA) desenvolve em Darfur nunca serão passados para a ONU", afirmou o presidente.O presidente do Sudão disse que Bush e Blair "deveriam se sentir envergonhados pelo que fizeram no Iraque"."Destruíram e saquearam riquezas e petróleo. Se quiserem invadir nosso país, lhes daremos uma lição que não esquecerão. Não entregaremos o Sudão aos ambiciosos, aos estranhos ou aos agentes", afirmou.Até agora, Bashir só aceitou o posicionamento de uma missão de paz formada pela UA e pela ONU. O envio dessa missão foi planejado por Bashir e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na cúpula extraordinária africana - realizada em 30 de novembro de 2006, em Abuja, capital da Nigéria.O conflito de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando dois grupos rebeldes pegaram as armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da região.Cerca de 200 mil pessoas morreram desde então, e dois milhões foram obrigados a abandonar seus lares e a deslocar-se para campos de refugiados no Sudão e no Chade, no que, segundo a ONU, é um dos piores desastres humanos deste século.

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