Presidente reprimia protestos com violência

Em 24 anos de governo de facto, Conté teve de resistir a tentativas de golpe e rebeliões

AFP, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

O "general presidente" Lansana Conté, que morreu anteontem aos 74 anos, governou a Guiné durante 24 anos, reprimindo violentamente todo movimento de contestação da sua gestão, considerada pelas ONGs como catastrófica. Militar de carreira, chegou ao poder por meio de um golpe em 3 de abril de 1984, uma semana depois da morte do primeiro presidente da Guiné independente, Ahmed Sekou Touré.Nascido em 1934 numa região próxima de Conakry, Conté era filho de agricultores da etnia sussu (minoritária).Estudou na Costa do Marfim e no Senegal. Incorporado em 1955 ao Exército francês, deixou o posto como sargento após a independência da Guiné, em 1958. Era um coronel de perfil nacionalista em 1984, quando o Comitê Militar de Recuperação Nacional o conduziu à chefia do Estado.Touré, o antecessor de Conté, considerado o "pai da independência", havia se convertido num ditador paranóico, frustranto as esperanças da população.Conté, no entanto, também não agradou muito à população e teve de resistir a duas tentativas de golpe militar, ambas sangrentas, em 1985 e 1996.Submetido à pressão, fez aprovar em 1990 uma nova Constituição, que previa o multipartidarismo, mas o país nunca realizou eleições consideradas livres ou transparentes.Conté venceu as eleições presidenciais de 1993 e de 1998. Em 2001, a oposição boicotou o referendo sobre a reforma constitucional, que autorizava uma espécie de "presidência vitalícia". Em 2003, Conté venceu as eleições com 95,63% dos votos. No início de 2007, as grandes manifestações populares hostis ao regime foram violentamente reprimidas e pelo menos 186 pessoas morreram.Em novembro de 2008, pelo menos quatro pessoas morreram, segundo a Human Rights Watch, na periferia de Conakry, em meio a manifestações reprimidas pelas forças de segurança, que usaram munição de verdade.

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