Presidente romeno é afastado pelo Parlamento

O presidente romeno, Traian Basescu, foi afastado nesta quinta-feira, 18, de suas funções pelo Parlamento em Bucareste após um procedimento iniciado pela oposição ultranacionalista e social-democrata, que o acusa de supostas violações da Constituição.Com 322 votos a favor, 108 contra e 10 abstenções, Basescu foi afastado do cargo por um período inicial de um mês, embora se espere que o presidente apresente nas próximas horas sua renúncia, o que tornará necessário a convocação de novas eleições em três meses.O chefe dos social-democratas e ex-ministro de Exteriores, Mircea Geoana, disse que a votação de hoje é uma "vitória da democracia" e afirmou que Basescu representa "um projeto político que fracassou. É incapaz de levar o país adiante". Geoana pediu a Basescu e a seus seguidores que impeçam manifestações nas ruas.No entanto, a rede Realitatea TV informou que nesta quinta, às 18h (12h em Brasília), será realizado um ato a favor de Basescu na Praça da Universidade de Bucareste.O presidente, que não assistiu à sessão parlamentar de hoje, por considerá-la um abuso inconstitucional, fez na quarta-feira à noite uma chamada "à razão" e ressaltou que seu afastamento afetará ofuturo democrático do país.Basescu assegurou que, se fosse afastado, renunciaria, o que levará à convocação de eleições presidenciais antecipadas.O primeiro-ministro, o liberal Calin Popescu-Tariceanu, afirmou após a votação que agora espera a renúncia de Basescu e assegurou que o passo dado hoje foi constitucional e legítimo.O Tribunal Constitucional opinou na quarta-feira em uma decisão consultiva que Basescu não violou a Constituição e que não cometeu nenhum abuso contra as instituições do Estado, os direitos humanos, nem atos de alta traição.Com o afastamento do presidente, será organizado um plebiscito em um mês sobre sua destituição definitiva. Se Basescu decidir renunciar, deverão ser realizadas novas eleições em três meses.O afastamento do presidente foi solicitado por 182 senadores e deputados do Partido Social Democrata, do Partido Romênia Grande, e do Partido Conservador.Os liberais e os húngaros no governo disseram que votariam "segundo sua consciência", enquanto o Partido Democrata e o dissidente liberal-democrata apoiaram o presidente.Basescu, que venceu as eleições de 2004, com um programa de luta anticorrupção e por uma classe política livre de comunistas, é o político romeno mais popular, com um apoio de 40% do eleitorado.A Romênia, país ex-comunista de 22 milhões de habitantes, entrou na União Européia (U) há apenas três meses, sob condições impostas por Bruxelas, como intensificar a luta contra a corrupção e reformar seu sistema judiciário.

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