Presidente Saleh volta ao Iêmen e pede cessar-fogo

O presidente Ali Abdullah Saleh voltou inesperadamente ao Iêmen na sexta-feira após três meses na Arábia Saudita, pedindo por um cessar-fogo entre seus simpatizantes e os opositores depois de cinco dias de intenso confronto na capital.

ERIKA SOLOMON, REUTERS

23 Setembro 2011 | 15h06

O retorno de Saleh suscitou grandes questões sobre o futuro do país situado na Península Arábica, que está paralisado desde janeiro pelos protestos contra o presidente, há 33 anos no poder.

Em Nova York, os Estados Unidos disseram que querem a renúncia de Saleh, que ele transfira totalmente o poder e permita o Iêmen a "seguir em frente."

A violência na capital do Iêmen, Sanaa, explodiu esta semana, quando um impasse que dura meses entre tropas leais e forças que apóiam os manifestantes anti-Saleh se transformaram num confronto militar que matou mais de 100 pessoas em cinco dias.

O país, um dos mais pobres da região, também enfrenta uma insurgência da Al Qaeda, uma trégua delicada com combatentes xiitas no norte e o separatismo no sul.

Momentos depois do anúncio na televisão estatal de sua volta da Arábia Saudita, onde ele se recuperou das queimaduras ocorridas durante uma tentativa de assassinato, ouviram-se explosões de tiros e de fogos de artifício nas ruas da capital. No distrito de Hasaba, na capital, também havia o barulho de bombas.

Saleh pediu por um cessar-fogo para que fosse possível conversar.

"A solução não está nas bocas dos fuzis e revólveres, está no diálogo e em conter esse derramamento de sangue," disse Saleh, segundo o Ministério da Defesa. Mas muitos iemenitas consideraram a volta dele como uma tentativa de convocar a guerra e agora esperam mais violência.

A volta do presidente dividiu profundamente os iemenitas. Os simpatizantes dele predizem alegremente que ele pode restabelecer a paz. Os opositores afirmam temer que a presença dele deflagrará um derramamento de sangue.

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