Presidente sírio aparece em público após um mês

Fora de cena desde junho, quando atentado matou parte da cúpula do regime, Assad é filmado na festa do fim do Ramadã

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h05

Os sírios foram pegos de surpresa ontem com a primeira aparição em público do presidente Bashar Assad desde o atentado que matou parte da cúpula das forças de segurança de Damasco, há cerca um mês. A TV estatal mostrou Assad participando da cerimônia de encerramento do Ramadã, o Eid al-Fitr, na mesquita de al-Hamad, na capital.

Ao redor da Síria, o fim do mês mais importante do Islã foi marcado por festas e manifestações contra o regime Assad. Grupos de oposição afirmaram que forças de Damasco continuam a bombardear partes da Alepo e da região de Rastan. Confrontos também foram registrados na Província de Deraa, perto da fronteira com a Jordânia.

No sábado, cresceram os rumores entre rebeldes de que o vice-presidente da Síria, Farouq al-Shara, teria se juntado à oposição. Damasco rapidamente desmentiu a história e, em seguida, políticos anti-Assad mudaram de versão, dizendo que Shara - sunita com o maior cargo no regime - estaria em prisão domiciliar, na capital.

As imagens da TV síria mostravam Assad ao lado de autoridades do regime, enquanto rezava e cumprimentava clérigos. A imprensa estatal costuma mostrar todo ano a visita do presidente a alguma mesquita de Damasco para celebrar o Eid al-Fitr. Desta vez, porém, Assad não foi filmado entrando no local, mas apenas dentro do templo.

A última aparição pública do ditador havia sido em 4 de junho, quando ele discursou no Parlamento sírio. Com a misteriosa explosão no principal complexo das forças de segurança, atentado em que morreram quatro comandantes militares - incluindo o ministro da Defesa e um cunhado do presidente -, há cerca de um mês, Assad não foi mais visto em público.

Diplomacia. Enquanto os confrontos seguiam na Síria, o novo enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe, o argelino Lakhdar Brahimi, começava a indicar o caminho que pretende seguir nos esforços de mediação. Brahimi, que assume o cargo após a renúncia do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, afirmou ontem que ainda não é hora de exigir a renúncia incondicional de Assad, como exige a oposição.

Tanto autoridades sírias quanto potências estrangeiras saudaram a nomeação do diplomata argelino. Ele deve dar início às negociações nos próximos dias, apesar da saída dos observadores. A ONU estima que 17 mil pessoas morreram em 18 meses de violência na Síria. Grupos de oposição falam em 20 mil mortos. / AP

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