Presidente sofre com nova onda de recessão

A crise financeira mundial pegou o governo argentino não só num mau momento político - por causa da queda na popularidade da presidente Cristina Kirchner e das dissidências no peronismo -, mas numa situação econômica precária. A expansão de gastos promovida pelo governo de Néstor Kirchner (2003-2007) deixou o país sem recursos para apostar numa política anticíclica. As fontes de financiamento são restritas desde o calote de US$ 95 bilhões em 2001 (o maior da história). E o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que desde 2005 adquiriu US$ 9,2 bilhões em títulos da dívida argentina, deve reduzir ou até paralisar suas compras com a queda dos preços do petróleo. Para a agência de classificação de risco Moody?s, os argentinos devem enfrentar dificuldades até para pagar suas atuais dívidas em 2010. Sem muita alternativa, nos últimos meses Cristina tem apelado para medidas que restringem suas importações (e os gastos do país em dólar), o que afeta bastante o comércio com o Brasil. Em setembro, a Argentina passou a exigir licenças automáticas de importação para um conjunto de 1.200 itens. Ela também elevou os preços mínimos de importação para 120 produtos brasileiros e chineses. Como resultado, só no primeiro bimestre deste ano, o comércio bilateral caiu 46,5%. Outra medida anticrise prevista por Cristina é a criação de um fundo para obras de infraestrutura com recursos vindos dos impostos sobre a venda de soja ao exterior. Foi o anúncio dessa medida que na semana passada reacendeu as tensões com os ruralistas. Nesta semana, agricultores voltaram a bloquear estradas para protestar contra os impostos sobre a exportação, que, para alguns produtos, chegam a 35%.

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