Presidente somali culpa Al Qaeda por atentado suicida

O presidente somali, Abdulahi Yousef Ahmed, suspeita que o atentado cometido em frente à sede do Parlamento foi um ataque suicida de responsabilidade de um grupo terrorista ligado à organização Al Qaeda."O terrorista suicida bateu com seu carro no primeiro veículo da minha comitiva", afirmou na noite de segunda-feira o governante nas primeiras declarações aos jornalistas depois da tentativa de assassinato."Sete automóveis, incluído o meu, se incendiaram. Cinco membros da segurança morreram, assim como meu irmão", acrescentou o chefe de Estado, que foi eleito em outubro de 2004.O atentado aconteceu na segunda-feira, em frente à sede do Parlamento, na cidade de Baidoa, 245 quilômetros a noroeste de Mogadíscio. A explosão aconteceu quando Abdulahi saía do edifício após um discurso.Abdulahi não explicou por que achava que os autores do atentado têm conexão com a Al Qaeda. Mas afirmou que o corpo do autor do atentado suicida foi encontrado.O governante tinha ido ao Parlamento para pedir o voto de confiança dos legisladores no Governo recentemente designado pelo primeiro-ministro, Mohammed Ali Ghedi."As forças de segurança conseguiram capturar dois dos terroristas, mataram outros dois e estão perseguindo vários que escaparam", anunciou o primeiro-ministro.A Somália vive sem um Governo central desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohammed Siad Barre. Sua queda deu início a uma luta entre os diferentes clãs para controlar o país. Recentemente, os milicianos dos Tribunais Islâmicos entraram na disputa.Nem o presidente nem o chefe do Governo acusaram diretamente os Tribunais Islâmicos, que controlam a capital e amplos territórios do centro e sul do país. Alguns de seus dirigentes radicais foram acusados de conexões com a Al Qaeda.O presidente da União de Tribunais Islâmicos (UIC), Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, considerado um líder moderado, lamentou os atentados. "Compartilhamos a dor do povo da Somália", disse.O líder islâmico responsabilizou o Governo da Etiópia, mas sem dar maiores explicações. "Eles querem criar obstáculos para a paz na Somália", argumentou Sharif.O Governo de Abdulahi e os Tribunais Islâmicos já realizaram duas reuniões em Cartum, no Sudão, mas ainda existe tensão entre as duas partes. Os milicianos islâmicos acusam o Governo de permitir a entrada no país de soldados da Etiópia, para apoiar o presidente.É a primeira vez que alguém tenta assassinar o presidente Abdulahi desde que ele foi eleito no Quênia pelo Parlamento no exílio, em 10 de outubro de 2004.O primeiro-ministro, designado por Abdulahi, sofreu um atentado em 6 de novembro de 2005, em Mogadíscio. Na ocasião, morreram quatro membros da sua comitiva.No domingo, foi assassinada em Mogadíscio uma freira italiana. O crime está sendo vinculado à polêmica no mundo muçulmano em reação ao discurso do Papa Bento XVI sobre o Islã.

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