Presidente sudanês acusa EUA de intromissão em Darfur

O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, afirmou que tentativas de substituir soldados de paz da União Africana (UA) por forças da Organização das Nações Unidas (ONU) na conflituosa região de Darfur fazem parte de planos dos Estados Unidos de criar um "novo Oriente Médio".Al-Bashir, que sempre se opôs à intervenção da ONU na região sudanesa de Darfur, intensificou sua retórica anti-Ocidente, criticando Washington numa tentativa de amealhar o apoio doméstico à proposta de envio de tropas internacionais para a região.Num discurso para ministros e jornalistas reunidos em Cartum, ele disse que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha querem redesenhar a região para atender aos interesses de Israel."Eles querem usar a questão de Darfur para recolonizar o Sudão", acusou.O líder sudanês, acabando de retornar de participação na reunião do Movimento dos Países Não-Alinhados, em Havana, e na Assembléia Geral da ONU, em Nova York, afirmou que autoridades do Sudão foram tratadas desrespeitosamente por oficiais do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos durante a visita.Em resposta, ele anunciou que nenhum diplomata americano no Sudão terá permissão para viajar além de um raio de 25 quilômetros do palácio presidencial em Cartum sem uma permissão especial."A medida entra em vigor nesta segunda-feira", decretou.O fato de a ONU não ter sancionado os Estados Unidos por sua invasão do Iraque "desrespeitando todos tratados internacionais", nem Israel pelo "assassinato de milhares de mulheres e crianças no Líbano", prova que a entidade é tendenciosa, avaliou Al-Bashir.O governo dos EUA e alguns observadores internacionais estimam que pelo menos 200 mil pessoas já foram mortas e 2,5 milhões fugiram de suas casas em Darfur, uma região árida e remota do oeste do Sudão onde a milícia árabe janjaweed, apoiada pelo governo, é acusada de cometer genocídio contra africanos não muçulmanos. Mas, para Al-Bashir, a crise humanitária tem sido exagerada pela mídia ocidental."Desafio que se apresente qualquer estatística precisa que mostre que a luta matou mais do que 10 mil pessoas em Darfur," disse, acrescentando que outros podem ter morrido de fome.Resolução da ONUAl-Bashir reiterou sua "total rejeição" à resolução do Conselho de Segurança da ONU de 31 de agosto que pede pela substituição dos soldados de paz da UA por uma força de 20 mil capacetes azuis da ONU, desde que haja a concordância do governo sudanês.Ele aproveitou para qualificar como "uma importante vitória" a extensão da missão de manutenção de paz da UA em Darfur. Originalmente, o mandato da UA expira daqui a cinco dias, mas a entidade estendeu a missão pelo menos até o fim do ano.Nouredinne Mezni, porta-voz da UA no Sudão, disse que as novas diretrizes permitirão aos mantenedores de paz melhores condições de implementar o acordo assinado em maio entre Cartum e o principal grupo rebelde de Darfur."Com nossos recursos atuais, nós realmente não dispomos dos meios para implementar plenamente o acordo de paz", disse Mezni.Jan Pronk, diretor da missão da ONU no Sudão, disse na semana passada que o acordo "estava em coma". Grupos humanitários afirmam que a violência apenas piorou depois da assinatura do acordo.Confrontos entre facções rebeldes dissidentes são a principal fonte de violência na região atualmente, assim como uma ofensiva militar sudanesa contra os rebeldes que não aceitaram aderir ao tratado de paz.O governo do Sudão é acusado de bombardear as aldeias onde integrantes desses grupos se escondem, causando grande número de baixas entre civis.

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