Presidente sul-africano chega ao Zimbábue para mediar crise

Mbeki tenta conter violência por disputa entre Mugabe e oposição; emissário da ONU é expulso pelo governo

Agência Estado e Associated Press,

18 de junho de 2008 | 11h14

O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, iniciou nesta quarta-feira, 18, uma visita-surpresa ao Zimbábue em meio às crescentes preocupações com a violência política no país africano. A viagem foi feita no mesmo dia em que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos informou que um emissário da entidade foi expulso do Zimbábue pelo governo do presidente Robert Mugabe. A chancelaria sul-africana anunciou em Johannesburgo que Mbeki viajou ao Zimbábue com o objetivo de intermediar os contatos entre Mugabe e o líder oposicionista Morgan Tsvangirai, que se enfrentarão no segundo turno das eleições no país em 27 de junho. Funcionários do governo sul-africano não forneceram mais nenhum detalhe sobre a visita-surpresa, anunciada em primeira mão na edição desta quarta do Herald, um jornal estatal zimbabuano. Em Genebra, a alta comissária da ONU para direitos humanos, Louise Arbour, informou que o emissário expulso trabalhava para ela. Ele estava no Zimbábue para reunir-se com funcionários locais da ONU e com grupos humanitários que atuam no país. Louise não identificou o emissário nem revelou o motivo alegado para a expulsão. "Infelizmente, parece ser um padrão de atuação do governo (zimbabuano) a tomada de uma posição de não-cooperação", queixou-se ela. O governo do Zimbábue ordenou recentemente que os grupos humanitários suspendessem seus trabalhos no país, o que fez com que milhões de pessoas passassem a depender exclusivamente do sistema governamental de distribuição de alimentos. Mugabe, no poder desde 1980, acusa as organizações assistenciais de trabalharem em conjunto com a oposição para derrubá-lo. Em Roma, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, conhecida pelas iniciais em inglês FAO, e o Programa Mundial de Alimentação advertiram que 5 milhões de zimbabuanos poderão passar fome por causa da redução da produção de alimentos e do aumento da inflação. Segundo os cálculos das duas agências, 2 milhões de pessoas serão atingidas no Zimbábue entre julho e setembro. De acordo com as mesmas projeções, se a situação persistir, a quantidade de famélicos no Zimbábue passará para 3,8 milhões até o fim do ano e alcançará 5,1 milhões entre janeiro e março de 2009.

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