Presidente sul-coreano defende diálogo com a Coréia do Norte

O presidente sul-coreano Kim Dae-jung, disse hoje que vai se esforçar para promover a reconciliação com o vizinho comunista, a Coréia do norte, a fim de afastar o perigo de guerra na península coreana. "A guerra deve ser evitada sob qualquer circunstância, por isso temos de usar nossos melhores esforços para promover diálogo e trocas com a Coréia do Norte", teria dito Kim a recém-nomeados ministros, segundo o porta-voz presidencial Park Sun-sook.Numa reforma ministerial na semana passada, Kim substituiu o principal assessor para a Coréia do Norte, atitude vista como um gesto conciliador em direção a Pyongyang. A Coréia do Norte vinha marginalizando ostensivamente o então ministro da Unificação, Hong Soon-young, por considerá-lo um linha-dura e declarava que não negociaria com ele.No dia seguinte à demissão de Soon-young, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em discurso sobre o Estado da Nação apontou a Coréia do Norte, Iraque e Irã como componente de um "eixo do mal" e advertiu que os EUA não permitiriam que eles apresentassem ameaças com armas de destruição em massa.A declaração preocupa a Coréia do Sul, já que os EUA poderiam usar a força para parar o desenvolvimento, por parte da Coréia do Norte, de mísseis e outras armas de destruição em massa. As duas Coréias travaram uma guerra de três anos nos anos 50 e hoje compartilham a fronteira mais armada do mundo. Cerca de 37.000 soldados dos EUA estão estacionados na Coréia do Sul.O novo chanceler sul-coreano, Choi Sung-hong, afirmou acreditar que, apesar das ameaças de Bush sobre a Coréia do Norte, os EUA querem resolver a questão dos mísseis e outras pendentes com o país comunista através do diálogo. "Várias palavras fortes estão saindo dos Estados Unidos, mas a palavra-chave é o diálogo com o Norte", disse Choi. "Por enquanto, não estamos nos preparando para o pior".Num comunicado divulgado pela rádio da Coréia do Norte, monitorada hoje em Seul, Pyongyang acusou os Estados Unidos de estarem planejando uma guerra contra o país, vinculando sem base o país com o terrorismo. A rádio divulgou uma notícia publicada no jornal do Partido Comunista, Rodong Sinmun, dando conta de que o país tem "poderosas armas ofensivas e defensivas".A Coréia do Norte "não é o Afeganistão nem a Iugoslávia nem o Iraque", afirmou. "A opção de ataque não é monopólio dos EUA". O novo chanceler sul-coreano disse que irá pedir direta ou indiretamente à Coréia do Norte para responder a uma proposta de diálogo dos EUA "em qualquer momento e em qualquer lugar".O ministro explicou que a Coréia do Sul espera que Bush reafirme o desejo de resolver questões com a Coréia do Norte através do diálogo quando ele visitar Seul em 19 de fevereiro. Bush também planeja visitar o Japão e a China.Retornando de uma viagem aos EUA, o antecessor de Choi, Han Seung-soo, disse hoje que a preocupação de Washington com o desenvolvimento de mísseis por parte da Coréia do Norte aumentou devido aos ataques de 11 de setembro. Segundo Han, o secretário de Estado Colin Powell afirmou a ele em Nova York na semana passada que as exportações de mísseis da Coréia do Norte para o Irã e outros países do Oriente Médio aumentaram nos últimos meses.A assessora de segurança nacional Condoleezza Rice classificou a Coréia do Norte como mercador número 1 de mísseis do mundo. Autoridades norte-americanas acreditam que Pyongyang dispõe de mísseis capazes de alcançar o Havaí e o Alasca.

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