Presidente taiwanês propõe nova Constituição

O presidente taiwanês, Chen Shui-bian, propôs "congelar" a atual Constituição, adotar uma nova e fundar a segunda república para a ilha, em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal Financial Times. As propostas de Chen contidas nessas declarações não foram bem recebidas em Washington e na oposição taiwanesa, o que representa uma dificuldade para esses planos. Um porta-voz americano lembrou ao presidente taiwanês suas declarações de 8 de julho deste ano, nas quais prometia mais uma vez não mudar a situação atual em Taiwan, afirmou nesta quinta o jornal eletrônico Tempos da China. As declarações de Chen ao Financial Times acontecem depois de outras semelhantes em uma videoconferência com acadêmicos e políticos japoneses, na terça-feira passada, nas quais prometeu mudanças depois das eleições municipais de dezembro. "A nova Constituição não é uma ilusão", disse Chen, que considera que a ilha precisa de uma "nova Constituição atualizada, relevante e viável". O presidente taiwanês está disposto a abordar o delicado tema do território sobre o qual Taiwan tem soberania e que, segundo a atual Constituição, inclui não só China continental, mas também a Mongólia. A China advertiu Chen de que não consentirá mudanças no nome oficial e no território incluídos na Constituição taiwanesa, já que são as únicas marcas legais da relação dos Estados taiwanês e chinês. O presidente taiwanês considera que o "congelamento" da atual Constituição e a declaração de uma segunda república com um novo texto constitucional poderiam servir para evitar um ataque chinês e conseguir seu objetivo político. O congelamento da Constituição mantém a relação do Estado taiwanês com a China, o que Chen espera que satisfaça Pequim, enquanto o novo texto pode definir como território de soberania o realmente controlado por Taiwan. Com estas medidas, Chen cumpre todas as suas promessas de não mudar a Constituição, já que está congelando este texto, e também de não declarar a independência formal, já que com a nova Carta Magna já ficaria manifestada essa independência real.

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