Presidente tentará mediar crise entre Caracas e Bogotá

Lula afirma que conversará pessoalmente com Chávez, Santos e Uribe para pôr fim à troca de acusações na região

Rafael Moraes Moura / Brasília, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou ontem que pretende exercer um papel de mediador na crise entre Colômbia e Venezuela, que será levada hoje à reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito, no Equador. Lula ressaltou, em entrevista coletiva ao lado do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, que o tempo "é de paz, não de guerra".

O Brasil será representado no encontro de Quito pelo secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota - uma vez que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está em missão oficial no Oriente Médio. O assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, também participará da reunião.

A Colômbia acusa a Venezuela de abrigar, com a anuência do governo do presidente Hugo Chávez, guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), incluindo vários líderes do grupo. Caracas nega que dê proteção à guerrilha.

"Pretendo conversar muito com o (Hugo) Chávez, muito com o Santos (Juan Manuel Santos, presidente eleito da Colômbia, que toma posse dia 7), porque acho que o tempo é de paz, não de guerra", afirmou Lula. "Falam em conflito. Mas ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina."

Esfriar a crise. Lula disse que no dia 6 participará de uma reunião bilateral com Chávez e irá, em seguida, para a Colômbia, onde pretende acompanhar a posse de Santos e conversar tanto com ele quanto com o atual presidente do país, Álvaro Uribe.

"Temos de restabelecer a normalidade nas relações entre Venezuela e Colômbia, porque são dois países importantes para nós da América do Sul, duas grandes economias, dois países que têm grandes fronteiras."

Marco Aurélio Garcia afirmou que os países vizinhos devem "esfriar a crise até o início do novo governo colombiano". "A partir daí, os dois países (Venezuela e Colômbia) terão a possibilidade de iniciar um diálogo que deve ser direto e discreto."

De acordo com Garcia, uma vez aliviada a tensão, os dois países devem chegar a um acordo para monitorar a fronteira e garantir que grupos insurgentes não cruzem de um lado para o outro.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, trouxe ao Brasil, na segunda-feira, um plano - não divulgado integralmente - para a resolução da crise. Ele se encontrou em Brasília com Lula e Patriota, antes de iniciar um rápido giro por países vizinhos. Na ocasião, Maduro informou que a Venezuela apresentaria seu plano de paz para ser discutido na reunião de hoje da Unasul.

"Como todos sabem, o nosso governo é de paz, com vocação sul-americanista, latino-americanista. O presidente Chávez é um combatente que defende a união e a integração (sul-americana)", disse Maduro.

PARA ENTENDER

Santos deve pôr fim a rusga

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, apresentou na Organização dos Estados Americanos (OEA) a denúncia de que rebeldes das Farc se abrigam em território venezuelano duas semana antes de deixar o cargo. Segundo analistas, a crise bilateral tem data para acabar - no dia 7, quando o presidente eleito Juan Manuel Santos, assume o poder. Dias antes de Caracas romper os laços diplomáticos com a Colômbia, Santos já vinha dando sinais de que estaria disposto a melhorar as relações de seu país com a Venezuela.

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