AFP PHOTO / TURKEY'S PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / KAYHAN OZER
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Presidente turco acusa Ocidente de apoiar terrorismo

Em discurso televisionado do palácio presidencial, Recep Tayyip Erdogan disse que seus aliados ocidentais 'estão a favor dos golpistas; expurgo do governo chega aos funcionários da saúde

O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 16h52

ANCARA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, lançou o ataque mais duro contra o Ocidente desde a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho, acusando os aliados ocidentais de Ancara de apoiar o terrorismo e os golpistas que tentaram derrubá-lo.

"Infelizmente, o Ocidente está apoiando o terrorismo e está a favor dos golpistas", disse Erdogan em um discurso televisionado no palácio presidencial, em resposta às críticas dos Estados Unidos e da Europa sobre a magnitude dos expurgos promovidos pelo presidente após o levante.

"Os que imaginamos é que nossos amigos estão a favor dos golpistas e dos terroristas", repetiu durante um fórum econômico organizado na sede da presidência. 

Para o presidente turco, "este golpe de Estado não é apenas um evento planejado do interior. Os atores agiram no país seguindo um roteiro que havia sido escrito a partir do exterior". Erdogan acusa o clérigo Fethullah Gulen, um ex-aliado que atualmente vive exilado nos Estados Unidos, de ser o cérebro do levante frustrado.

O chefe de Estado turco reagiu, em particular, contra a decisão das autoridades alemãs que o proibiram de se dirigir através de um vídeo aos seus partidários reunidos em Colônia (oeste da Alemanha) durante uma manifestação de apoio a Ancara, no domingo.

Além disso, ele criticou Berlim por permitir discursos por videoconferência de autoridades do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, rebeldes curdos), que combate o Exército turco desde o fim do cessar-fogo, em julho de 2015, e são considerados terroristas por Ancara.

Erdogan rejeitou as críticas dos europeus sobre as medidas tomadas após o golpe, sustentando que "o estado de emergência respeita os procedimentos europeus. "Olhem o que a França fez: três (meses) mais três, mais seis, declarou um ano de estado de emergência", lembrou.

Saúde. O expurgo lançado na Turquia após o golpe de Estado alcançou nesta terça-feira um dos últimos setores que pareciam ter se salvado: a saúde. Com ordens de detenção contra 95 membros da equipe de um grande hospital militar de Ancara, incluindo médicos, anunciou uma autoridade turca.

A perseguição aos simpatizantes, reais ou imaginários, de Gulen é realizada de forma implacável há duas semanas e meia. Até então havia afetado em massa o Exército, onde a metade dos generais foram destituídos, assim como a Justiça, a educação e os meios de comunicação.

Nesta terça-feira, após uma operação policial, foram detidos meia centena de funcionários do GATA (Gulhane Military Medical Academy), entre eles médicos militares, anunciou a agência estatal de notícias Anatólia. / AFP

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