EFE/Turkish President Press Office
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Presidente turco deve expulsar cônsules que apoiaram jornalista acusado de espionagem

Recep Tayyip Erdogan criticou o cônsul britânico Leigh Turner por publicar uma foto com o redator-chefe do jornal de oposição Cumhuriyet

O Estado de S. Paulo

28 de março de 2016 | 12h30

ISTAMBUL - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, insinuou nesta segunda-feira, 28, que poderia retirar as credenciais dos cônsules europeus que expressaram apoio a um jornalista turco acusado de espionagem.

O presidente criticou, sem dar nomes, o cônsul britânico Leigh Turner, que na sexta-feira publicou no Twitter uma selfie com o jornalista Can Dündar, redator-chefe do jornal opositor Cumhuriyet.

"Se esta pessoa ainda pode trabalhar em nosso país é por nossa magnanimidade e nossa hospitalidade. Em outros lugares não deixariam ficar nem um dia um diplomata que se comporta assim", disse Erdogan em discurso exibido pela emissora CNNTÜRK.

Além de Turner, a cônsul francesa Muriel Domenech e o holandês Robert Schuddeboom, entre outros diplomatas, visitaram na sexta-feira o tribunal onde acontece o julgamento de Dündar e de seu colega Erdem Gül, acusados de publicar imagens de um suposto envio secreto de armas da Turquia à Síria.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia divulgou nesta segunda-feira uma breve nota para expressar seu mal-estar com relação à atitude dos diplomatas, segundo a emissora. "Transferimos nosso mal-estar aos representantes dos países cujos diplomatas e representantes consulares compartilharam nas redes sociais sua presença no julgamento de Can Dündar e Erdem Gül em Istambul, em 25 de março, que consideramos inadequada", afirmou a nota.

A visita ao tribunal "poderia ser uma intromissão na independência da justiça", acrescentou o comunicado.

A promotoria pede prisão perpétua para os dois jornalistas, que passaram três meses em prisão preventiva antes de serem libertados em fevereiro por uma sentença do Tribunal Constitucional.

Erdogan pediu ao judiciário que não acatasse a esta sentença e no sábado afirmou, em referência ao mesmo incidente, que um cônsul só pode se movimentar livremente dentro de sua delegação, e que para qualquer ato fora dela necessitaria de "permissão". /EFE

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