EFE/Turkish President Press Office
EFE/Turkish President Press Office

Presidente turco propôs encontro com Putin em Paris, diz Kremlin

Porta-voz de Putin diz que Erdogan quer se reunir com russo antes da COP-21, na segunda-feira; premiê turco diz que país trabalhará com parceiros para 'reduzir tensão' após derrubada de caça russo

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2015 | 11h09

MOSCOU - A Rússia afirmou nesta sexta-feira, 27, que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu um encontro com o colega russo Vladimir Putin em Paris na próxima segunda-feira. 

"Uma proposta por parte da Turquia sobre um encontro de chefes de Estado foi entregue ao presidente", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas, durante teleconferência. "É tudo que posso dizer."

Putin e Erdogan irão participar da cúpula da ONU sobre o clima (COP-21) que começa na própria segunda-feira, em Paris. Peskov também disse que Erdogan telefonou para Putin sete ou oito horas após a Turquia derrubar um avião de guerra russo na terça-feira. 

Erdogan disse ao canal de TV France 24 na quinta-feira que ligou para Putin após a derrubada do jato, mas que o líder russo ainda não retornou a ligação. "Este pedido (de resposta telefônica) também foi entregue ao presidente", disse Peskov. 

Tensão. O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou seu país trabalhará com a Rússia para diminuir a tensão após a derrubada do caça russo, e indicou que a prioridade deve ser lutar contra o Estado Islâmico (EI).

Em artigo publicado nesta sexta-feira no jornal britânico "Times", Davutoglu ressaltou, no entanto, que a prioridade da Turquia é proteger sua integridade territorial. "A derrubada de um avião não identificado no espaço aéreo turco não é um ato contra um país específico. A Turquia tomou medidas, baseadas nas regras de combate, para proteger a integridade de seu território soberano", escreveu o premiê.

"Enquanto as medidas para defender nosso território se mantêm, a Turquia trabalhará com a Rússia e nossos aliados para acalmar as tensões", afirmou Davutoglu. O político assinalou que não deve haver uma "distração" do que une os aliados, que é responder a ameaça internacional que é o EI, além de assegurar um futuro para a Síria e buscar uma solução à crise dos refugiados.

O turco disse que o EI "adora a morte e rejeita a vida, e não tem nada a ver com a religião". Ao mesmo tempo, Davutoglu criticou a comunidade internacional por não ter se focado em combater o avanço do EI na Síria, e pediu medidas "organizadas" contra esse grupo.

"Este é o momento de nos posicionarmos contra o Estado Islâmico. Uma medida coletiva que aproveite as diferentes forças de Estados Unidos, União Europeia, Rússia, Turquia e outros pode, e poderá, mudar o rumo (da ameaça)", acrescentou.

Após a derrubada do avião, a tensão entre Turquia e Rússia aumentou ao ponto de o presidente russo, Vladimir Putin, chegar a advertir de sérias consequências nas relações entre os dois países e prometer sanções econômicas contra Ancara.

O avião russo, um SU-24, foi derrubado por um avião de combate turco F-16 na fronteira entre Turquia e Síria, o que causou a morte de um dos dois pilotos russos, enquanto que o outro foi resgatado por forças especiais russas. / REUTERS e EFE

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