Presidente ucraniano determina plano de paz e cessar-fogo unilateral

Decisão de estabelecer um plano de 14 passos foi tomada por Poroshenko após conversa telefônica com o líder russo

O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 10h59

KIEV - O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, estabeleceu nesta quarta-feira, 18, propostas para um plano de paz para o leste da Ucrânia envolvendo um cessar-fogo unilateral de forças do governo. A decisão foi tomada após uma conversa telefônica durante a noite com o presidente russo, Vladimir Putin.

Falando aos alunos de um instituto militar em Kiev, Poroshenko delineou um plano de 14 passos, com uma anistia para combatentes separatistas pró-Rússia que largarem as armas, e maior controle sobre a fronteira da Ucrânia com a Rússia. O ministro em exercício da Defesa, Mykhailo Koval, disse a jornalistas na capital que o cessar-fogo "ocorrerá nos próximos dias".

"O plano começará com minha ordem de um cessar-fogo unilateral. Imediatamente após isso, precisamos rapidamente conseguir apoio para o plano de cessar-fogo de todos os participantes", disse Poroshenko.

A Ucrânia acusa a Rússia de apoiar os rebeldes no leste ucraniano, uma região industrial onde a maioria fala russo e se levantou contra o governo após os protestos em Kiev terem derrubado Viktor Yanukovich, um presidente próximo a Moscou. Kiev diz que os rebeldes estão trazendo armas por meio da fronteira russa.

Poroshenko afirmou na segunda-feira 16 que o cessar-fogo poderia começar quando a fronteira estivesse segura e havia ordenado às suas tropas que retomassem o controle para permitir a trégua e as conversações de paz. O Kremlin informou que a conversa de Putin com Poroshenko no fim da noite de terça havia "abordado o tema de um possível cessar-fogo na área de ação militar no sudeste da Ucrânia".

O governo russo tem pedido o fim imediato do que chama de "operação punitiva" das forças ucranianas contra separatistas pró-Rússia no leste do país.

As relações entre os dois países estão abaladas, três meses após a Rússia ter considerado como golpe de Estado o levante contra Yanukovich e, logo em seguida, ter anexado a península ucraniana da Crimeia, no Mar Negro.

O governo russo reconheceu de má vontade Poroshenko como novo líder eleito da Ucrânia, mas as tensões ainda estão altas, exacerbadas pela decisão de Moscou de cortar o abastecimento de gás para a Ucrânia após os dois lados não terem conseguido chegar a um acordo sobre os preços e a dívida de Kiev. / REUTERS

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