Presidente ucraniano proporá plano de paz com cessar-fogo

Anúncio de Poroshenko foi feito após a Rússia cortar o fornecimento de gás ao país vizinho

O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2014 | 11h12

KIEV - O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, afirmou nesta segunda-feira, 16, que proporá um plano de paz com cessar-fogo para acabar com os conflitos entre ucranianos e separatistas pró-Rússia. A decisão foi anunciada depois de Moscou cortar o fornecimento de gás.

Em um comunicado para chefes de Segurança, Poroshenko disse ter estabelecido que as forças do governo recuperem o controle da fronteira com a Rússia nesta semana e, em seguida, um cessar-fogo temporário deve ser estabelecido para que se chegue a um acordo de paz.

A Rússia interrompeu o fornecimento de gás para a Ucrânia em razão de um desentendimento sobre contas não pagas, em um impasse que pode também prejudicar o abastecimento para o restante da Europa e dificultar os esforços de paz.

Depois de um fim de semana violento, com a morte de 49 militares na queda de um avião ucraniano, a Rússia disse que Kiev não cumpriu o prazo para o pagamento de US$ 1,95 bilhão de dívida e receberá gás apenas se pagar adiantado.

Os russos insistiram que os ucranianos ofereçam garantias de que deixarão o gás passar por seus gasodutos internacionais, rumo aos clientes russos na União Europeia.

Kiev e Moscou culparam-se mutuamente pelo insucesso das negociações sobre o preço das futuras entregas de gás e recusaram-se a abandonar posições consolidadas: a Rússia oferecendo um desconto e a Ucrânia rejeitando-o como uma ferramenta de manipulação política.

"Graças a posições não construtivas do governo da Ucrânia, hoje um sistema de pré-pagamentos foi introduzido", disse o presidente da estatal russa exportadora de gás Gazprom, Alexei Miller, ao primeiro-ministro Dmitry Medvedev, durante uma reunião. Segundo o executivo, a Ucrânia "adotou uma posição que pode apenas ser definida como chantagem", acrescentando que "eles queriam um preço ultrabaixo."

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, acusou Mosocu de bloquear deliberadamente o acordo para causar a Kiev problemas de fornecimento no próximo inverno, quando o gás será necessário para o aquecimento. "A questão não é o gás. É uma plano russo em geral para destruir a Ucrânia."

A redução a longo prazo no fornecimento poderá afetar os consumidores da UE, que recebem da Rússia cerca de um terço de suas necessidades de gás - aproximadamente metade desse suprimento chega por gasodutos que atravessam a Ucrânia. / AP e REUTERS

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