AFP PHOTO / JIM WATSON
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Presidente vai adotar tom moderado em discurso do 'Estado da União'

Em discurso no Capitólio, Trump dirá que derrotou EI, recuperou economia e buscará apoio da oposição para reforma

Claudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2018 | 05h00

WASHINGTON - O presidente dos Estados UnidosDonald Trumpocupará nesta terça-feira, dia 30, a tribuna do Congresso dos EUA para apresentar um balanço róseo de seu primeiro ano de governo, no qual reivindicará a paternidade da prosperidade econômica, dirá que venceu a guerra contra o Estado Islâmico e buscará apoio dos democratas para suas prioridades legislativas de 2018: a reforma do sistema de imigração e o plano de investimento de US$ 1 trilhão em infraestrutura. 

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Ambas as propostas enfrentam resistência em setores do Partido Republicano e dificilmente serão aprovadas sem votos da oposição. No entanto, a exigência da Casa Branca de aprovar restrições drásticas nos programas de imigração legal para os EUA ameaçam atrapalhar as negociações sobre a regularização do status de 1,8 milhão de imigrantes levados ao país quando criança – 690 mil dos quais são inscritos no Daca, a iniciativa de Barack Obama que os protegeu do risco de deportação.

 

No fim de semana, congressistas republicanos defenderam que Trump abandone a exigência e dê prioridade à situação dos jovens ilegais e à obtenção de recursos para reforçar a segurança na fronteira, o que incluiria a construção de um muro entre os EUA e o México. “Eu ainda acredito que uma proposta limitada seja mais importante”, disse, no domingo, o deputado republicano Will Hurd, do Texas, Estado que faz fronteira com o México. “Quanto mais coisas você adiciona, mais cria coalizões de oposição (à proposta).”

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No entanto, a porta-voz de Trump, Sarah Huckabee Sanders, insistiu nesta segunda-feira, dia 29, que as mudanças no sistema de imigração legal para os EUA são um dos pilares do projeto da Casa Branca. Estudo do conservador Instituto Cato estimou que as alterações defendidas pelo governo podem reduzir em 44% o número de imigrantes que entram legalmente nos EUA a cada ano. Nos próximos 50 anos, isso representaria um universo de 22 milhões de pessoas.

Em seu discurso desta terça-feira, dia 30, Trump atribuirá o crescimento econômico e a queda do desemprego às desregulamentações e à aprovação da reforma tributária, em dezembro, apesar de a reação ter se iniciado há oito anos, no governo Obama. 

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O presidente também tentará transcender sua base de apoio e adotar uma retórica unificadora. A grande questão é quanto tempo o Trump do teleprompter sobreviverá antes de ser substituído pelo Trump do Twitter, que fala quase exclusivamente para os seus mais radicais defensores. 

 

 

 

 

 

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