Presidente volta ao Paquistão em meio a inundações

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, voltou na terça-feira de uma viagem oficial ao exterior, em meio a críticas à atuação do governo na pior inundação registrada nos últimos 80 anos no país.

FAISAL AZIZ, REUTERS

10 de agosto de 2010 | 09h03

As enchentes, causadas pelas fortes chuvas das últimas duas semanas nas cabeceiras da bacia do rio Indo já mataram mais de 1.600 pessoas e deixaram um rastro de destruição numa faixa de mil quilômetros, do norte ao sul do Paquistão.

O mau tempo impede o voos dos helicópteros de resgate, e novas chuvas pioram a situação de mais de 13 milhões de afetados - 8 por cento da população -, dos quais 2 milhões estão desabrigados.

Zardari, já impopular por causa das dificuldades econômicas do país e do seu envolvimento no combate a militantes islâmicos junto com os EUA, enfureceu os críticos por manter sua agenda na Europa apesar da tragédia.

Enquanto o governo passa uma imagem de hesitação, os militares assumiram o comando das tarefas, mas analistas descartam a possibilidade de que tentem tomar o poder.

"O presidente voltou e está em Karachi. Ele virá hoje a Islamabad", disse o porta-voz presidencial Farhatullah Babar à Reuters. Uma fonte do governo disse que ele deve visitar as áreas inundadas nos próximos dias, mas, para muitos paquistaneses, isso é pouco, e já é tarde.

"Tudo o que eu posso dizer sobre Zardari é que nossas casas estão desabando e o governo dele não está nem aí", disse o comerciante Daraz Gul, na localidade de Nowshera (Paquistão).

"Um governo deve ser como um pai. Se um pai deixa seus filhos em apuros e vai passear no exterior, é escandaloso."

Em Sukkur (sul), dezenas de manifestantes acusaram os políticos de ignorarem as inundações. "Eles querem salvar as próprias terras e fábricas. Eles não ligam se Sukkur está submersa", disse o comerciante de roupas Salahuddin Ahmed.

Zardari tem uma função primordialmente cerimonial desde que o Parlamentou aprovou reformas, neste ano, que lhe privaram de vários poderes. O governo, comandado pelo partido dele, disse estar lidando com as enchentes, e que a questão não deveria ser politizada.

A ONU afirmou que, em termos de pessoas privadas de casa e subsistência, e portanto carentes de ajuda em curto ou longo prazo, as enchentes do Paquistão são piores do que o tsunami de 2004, que matou cerca de 236 mil pessoas no oceano Índico.

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse "extremamente preocupado" com o impacto humanitário das inundações no Paquistão, e em breve deve lançar um apelo por centenas de milhões de dólares em ajuda.

Também na segunda-feira, o FMI afirmou que o desastre causará um "importante dano" à economia paquistanesa. Doadores de ajuda e investidores já se mostram preocupados com as consequências das enchentes para a frágil situação econômica do país.

(Reportagem adicional de Zeeshan Haider e Augustine Anthony em ISLAMABAD)

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